Contos

Canção do Exílio – Gonçalves Dias

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Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

 

Gonçalves Dias

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[RESENHA#178]Ferrugem, de Marcelo Moutinho

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Título: 
Ferrugem

Autor: Marcelo Moutinho
ISBN:  9788501108227
Ano:  2017 
Páginas:  160
Editora:  Record
Informações: Skoob Goodreads
Compre aqui: Submarino Saraiva Cultura Amazon

Sinopse: O assunto de Ferrugem é a paisagem humana, os grandes dramas corriqueiros, a vida que passa. Desfilam por aqui personagens ímpares, insuspeitas, inesquecíveis, ainda que aparentemente comuns: a moça soropositiva, caixa de supermercado, que reencontra o antigo namorado; a cobradora de ônibus que dá conselhos amorosos a um passageiro; o cantor de boate que imita Roberto Carlos. O valor literário dos contos de Marcelo Moutinho não está em tramas surpreendentes ou inusitadas, mas na alta-voltagem poética que a voz do narrador consegue extrair de situações vulgares. Leia o resto deste post »

Via Láctea – Olavo Bilac

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Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

 

Olavo Bilac

Soneto da Fidelidade – Vinicius de Moraes

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De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

 

Vinicius de Moraes

Todas as Cartas de Amor são Ridículas – Álvaro de Campos (Heterónimo de Fernando Pessoa)

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Todas as cartas de amor são 
Ridículas. 
Não seriam cartas de amor se não fossem 
Ridículas. 

Também escrevi em meu tempo cartas de amor, 
Como as outras, 
Ridículas. 

As cartas de amor, se há amor, 
Têm de ser 
Ridículas. 

Mas, afinal, 
Só as criaturas que nunca escreveram 
Cartas de amor 
É que são 
Ridículas. 

Quem me dera no tempo em que escrevia 
Sem dar por isso 
Cartas de amor 
Ridículas. 

A verdade é que hoje 
As minhas memórias 
Dessas cartas de amor 
É que são 
Ridículas. 

(Todas as palavras esdrúxulas, 
Como os sentimentos esdrúxulos, 
São naturalmente 
Ridículas.) 

Álvaro de Campos, in “Poemas” 
Heterónimo de Fernando Pessoa .

 

NÃO ME DEIXES! – Gonçalves Dias

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Debruçada nas águas dum regato
A flor dizia em vão
À corrente, onde bela se mirava:
“Ai, não me deixes, não!

“Comigo fica ou leva-me contigo
“Dos mares à amplidão;
“Límpido ou turvo, te amarei constante;
“Mas não me deixes, não!”

E a corrente passava; novas águas
Após as outras vão;
E a flor sempre a dizer curva na fonte:
“Ai, não me deixes, não!”

E das águas que fogem incessantes
À eterna sucessão
Dizia sempre a flor, e sempre embalde:
“Ai, não me deixes, não!”
 
Por fim desfalecida e a cor murchada,
Quase a lamber o chão,
Buscava inda a corrente por dizer-lhe
Que a não deixasse, não.

A corrente impiedosa a flor enleia,
Leva-a do seu torrão;
A afundar-se dizia a pobrezinha:
“Não me deixaste, não!”

 

Gonçalves Dias.

[Resenha #166 ] Contos Macabros: 13 Histórias Sinistras da Literatura Brasileira de Nove Autores Consagrados

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cmLivros que trazem contos de vários autores, por mais temáticos que sejam, sempre mostram tonalidades diversas. Alguns trazem muitas palavras para pouca história, outros, muita história em poucas palavras, raros são os escritores que conseguem equilibrar informação e texto, mas certamente de algum estilo de escrita, você, leitor, gostará. Porém, nesse tipo de livro, seria injusto que eu comentasse dois ou três contos e deixasse o resto para lá. Afinal, não se trata de um livro de contos de um único escritor, que, por mais que varie, sempre manterá alguma uniformidade. São nove autores, e mesmo os menos conhecidos devem ser mencionados. Claro, alguns contos são tão pequenos que o comentário terá de ser menor ainda para não estragar a leitura, mas, ao menos uma menção a cada texto deve ser feita.

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[RESENHA#162]Felizes Para Sempre, de Kiera Cass

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Título: 
Felizes Para Sempre

Autor: Kiera Cass
ISBN: 9788565765619
Ano: 2015
Páginas: 464
Editora: Seguinte
Informações: Skoob Goodreads
Compre aqui: Submarino Saraiva Cultura Amazon

Sinopse: Esta coletânea traz os contos A rainha, O príncipe, O guarda e A favorita ilustrados e com introduções inéditas de Kiera Cass. Conheça o príncipe Maxon antes de ele se apaixonar por America, e a rainha Amberly antes de ser escolhida por Clarkson. Veja a Seleção através dos olhos de um guarda que perdeu seu primeiro amor e de uma Selecionada que se apaixonou pelo garoto errado. Você encontrará, ainda, cenas inéditas da série narradas pelos pontos de vista de Celeste e Lucy, um texto contando o que aconteceu com as outras Selecionadas depois do fim da competição e um trecho exclusivo de A sereia, o novo romance de Kiera Cass. Este é um livro essencial para os fãs de A Seleção, que poderão se aprofundar mais nesse universo tão apaixonante. Leia o resto deste post »

[Resenha # 158] As Cariocas de Sérgio Porto

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asCariocasDesaconselhável para menores de 18 anos!

Ok, As Cariocas é um livro que dispensa apresentações. Além da série da Globo, A Desinibida do Grajaú já havia sido levada para a TV antes, sendo a personagem de Porto que mais encontrou atrizes para interpretá-la. Mas eu quis ler o livro assim mesmo e demorei para achar. Os contos do livro são: A Grã Fina de Copacabana; A Noiva do Catete; A Donzela da Televisão; A Currada de Madureira; A Desquitada da Tijuca; e a Desinibida do Grajaú.

Não falarei de todos eles. Faço essa opção por um bom motivo: O humor ácido, a ironia, o erotismo, temas como infidelidade conjugal e o imprevisível estão presentes na maioria dos contos. Seus títulos já definem o que as respectivas histórias contarão. Somente A Currada de Madureira é mais denso por motivos óbvios, e é o ponto mais fora da curva destes seis textos. Também há, nessas histórias, uma certa descrição exagerada dos cenários que não interfere em nada nos acontecimentos. Vejamos A Noiva do Catete:

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[RESENHA#151] Edgar Allan Poe: Medo Clássico, de Edgar Allan Poe

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Título:
Edgar Allan Poe: Medo Clássico

Autor: Edgar Allan Poe
ISBN: 9788594540249
Ano: 2017
Páginas: 384
Editora: DarkSide Books
Informações: Skoob / Goodreads
Compre aqui: Submarino / Saraiva / Cultura / Amazon

Sinopse: Seguindo o padrão quase psicopata de qualidade que os leitores já esperam da DarkSide® Books, o livro é uma homenagem a Poe em todos os detalhes: da capa dura à nova tradução feita por Marcia Heloisa, pesquisadora e tradutora do gênero, além das belíssimas ilustrações em xilogravura feitas pelo artista gráfico Ramon Rodrigues. E o mais importante: o conteúdo selecionado que recheia as 384 páginas deste primeiro volume de Edgar Allan Poe: Medo Clássico. E que conteúdo!
Pela primeira vez numa edição nacional, os contos estão divididos em blocos temáticos que ajudam a visualizar a enorme abrangência da obra. A morte, narradores homicidas, mulheres imortais, aventuras, as histórias do detetive Auguste Dupin, personagem que serviu de inspiração para Sherlock Holmes.
O livro traz ainda o prefácio do poeta Charles Baudelaire, admirador confesso de Poe e o primeiro a traduzi-lo para o francês. Os contos são comentados na voz do personagem mais famoso de Poe, um certo pássaro de asas escuras como a noite. E por falar nele, Edgar Allan Poe: Medo Clássico apresenta “O Corvo” na sua versão original, em inglês, além de reunir suas mais importantes traduções para o português: a de Machado de Assis (1883) e a de Fernando Pessoa (1924).
Uma obra tão completa que não poderia se limitar a um só volume. A DarkSide® Books já começa a organizar Edgar Allan Poe: Medo Clássico, volume 2. Além de Poe, Mary Shelley, Bram Stoker e Lovecraft também farão parte da coleção Medo Clássico, sempre com ilustradores convidados e tradutores que respiram e conhecem profundamente as obras originais.
Nunca mais houve um autor como Poe. Nunca mais haverá uma edição como esta. Leia o resto deste post »