[Resenha #141] Wild Cards Livro 8 Luta de Valetes – a Entrada de Chris Claremont na Mesa de RPG de George R. R. Martin

Postado em Atualizado em

Wildcards8Desaconselhável para menores de 18 anos!

Você é maior de 18? Ok. Mas aviso: Este volume exige a leitura dos anteriores!

Alerta de spoilers eventuais!
É o oitavo volume de uma série de livros de romances mosaicos iniciada nos anos 1980, mas que nunca fora publicada em sua forma original no Brasil antes de 2013. Spoilers são, eventualmente, inevitáveis! Só a menção de personagens antigos já demonstra que eles não morreram até o volume 7. Esteja avisado(a)!

Finalmente é publicado no Brasil o oitavo volume da série que começou a ser escrita numa mesa de RPG mestrada por George R. R. Martin.

Com histórias ambientadas e, aparentemente, escritas no final da década de 1980, este livro foi publicado originalmente nos EUA em 1991 e traz a vinda de Chris Claremont, consagrado autor de X-Men nos anos 1980, para a equipe de escritores do mais polêmico e, a meu ver, melhor mundo de super-heróis de todos os tempos, o de Cartas Selvagens, ou Wild Cards. Também fazem parte do time de escritores do livro 8: Walton Simons, Lewis Shiner, William F. Wu, Victor Milán, Stephen Leigh, Melinda M. Snodgrass e J. J. Miller. A costura dos capítulos, a edição final, ficou a cargo de George R. R. Martin e de Melinda M. Snodgrass.

E, sim. Chris Claremont é ele mesmo, o consagrado escritor que, ao lado de Len Wein, Dave Cockrum e John Byrne, levou os X-Men ao estrelato nos quadrinhos. Quadrinhos esses que fizeram sucesso e que desencadearam e serviram de base para a série de desenhos nos anos 1990.

Voltando: na Terra de Cartas Selvagens, (quase) todos os super poderes são oriundos do vírus alienígena carta selvagem. Ainda assim, a história de cada infectado traz nuances e motivações únicas. Velhos conhecidos retornam apresentando elementos novos que vão mudar nosso olhar sobre eles.

A série chega naquele momento em que a compreensão do livro 8 depende das leituras dos volumes anteriores, ou seja, se tornou hostil a novos leitores. Um prefácio para cada edição, explicando por alto os personagens importantes para cada volume seria bem-vindo. Ouviram, Leya e Omelete? De que adianta cada livro trazer uma ou mais histórias fechadas se os leitores novos não entenderem o contexto? Novos personagens surgem, e, no caso deles, obviamente não há necessidade de leitura prévia, mas muita coisa deixou de ser explicada para os novos leitores, enquanto algumas lacunas do passado são preenchidas. Acaba que esse é o livro da série que mais exige a leitura (ou a releitura) de tudo o que veio antes.

A história começa com o Projecionista, que durante muito tempo fora um gorila gigante. O vírus carta selvagem se manifestou nele enquanto assistia King Kong. Ele passou décadas como um gorila gigante até voltar ao normal e se ver num mundo completamente novo. Como tudo isso aconteceu? Leiam os livros 2 e 4. Nosso herói do momento muda seu codinome para Senhor Ninguém.

Entre os novos personagens está a Doutora Cody, médica de guerra no Vietnã, cuidava da divisão coringa. Cheiro, um coringa ex-combatente que trabalha na Clínica do Bairro dos Coringas, a indica para ir trabalhar lá. Ela passou por uma campanha difamatória pesada no Estado onde morava e vai tentar a vaga de médica cirurgiã na Clínica do Bairro dos Coringas em Nova York. Ao chegar na nova cidade, é atacada por um estranho coringa/Ás e, depois disso, sua relação com o Doutor Tachyon já começa mal.

Como em todos os livros da série, várias coisas acontecem ao mesmo tempo. Cada capítulo é escrito por um escritor. A ameaça que norteia o livro como um todo é a da gangue dos saltadores; Azes que passam suas consciências para pessoas inocentes, cometem crimes e deixam suas vítimas para trás para arcarem com as consequências. Senhor Ninguém e Dorminhoco estão de olho enquanto buscam por Verônica, uma garota de programa que desaparece logo depois de largar a vida de prostituição.

Pela primeira vez em toda a série, a questão da passagem de tempo me incomodou. De um escritor para outro, o leitor percebe que muito tempo se passa, mas só os habitués da série entenderão os motivos. Não foram nem colocadas datas nos inícios de cada capítulo para facilitar a compreensão, como feito nos livros anteriores, mas, basicamente, muito tempo se passa entre os capítulos e todos os escritores resolveram detalhar o máximo possível o que acontece em cada um deles, gerando um monte de pequenas barrigas.

Há o julgamento de Hiram pela morte de Crisálida além de outras histórias que invadem a trama principal do volume. Os próprios personagens que são, especificamente, os astros no livro 8 cresceram ao longo dos anteriores para só aí ganhar importância. Muitos tiveram grandes elementos revelados e que só terão consequência nos volumes posteriores. Leitores novos, nem adianta tentar ler o 8 sem os anteriores. Mesmo o que é revelado no 8 só faz sentido em virtude de um máximo de leituras prévias possíveis.

A briga do Capitão Viajante pela custódia da filha é um dos elementos que só os leitores que o acompanham desde o primeiro livro conseguem se importar. Nesse universo, a morte, o tempo e as consequências são irreversíveis. Os escritores estão num dilema, substituir os personagens mais antigos e mais carismáticos por novos. Numa transição leve, resolveram promover antigos coadjuvantes a astros ou escadas para personagens novos que só se mostrarão de verdade no futuro.

Mas é exatamente isso que eu gosto na série como um todo, você não sabe quem vai viver, quem morrerá. Até os imortais mais notórios: Tachyon, Dorminhoco e Golden Boy possuem suas imortalidades relativizadas e podem morrer de uma hora para outra. As gerações se sucedem, os personagens mudam (por morte ou aposentadoria), sendo substituídos por novos com o tempo.

Se gostei do livro? Gostei, mas estou lendo na sequência desde o primeiro. Até o livro quatro era possível ler qualquer um de boas, mas depois da viagem do Cartas Marcadas e do Croyd Tifoyd, no 5, tudo ficou muito interligado mesmo e quem não leu tudo fica perdido.

No livro 8 também já vemos policiais Ases pescadores em ação. Pescadores são com são chamados os telepatas superficiais, mas que sabem se uma pessoa está mentindo ou não ou se está calma ou agressiva. Pode parecer pouco, mas eles quase não são enganados nem por atores profissionais.

Gostaria de poder falar realmente mais da história do livro em si, mas além do livro ser pequeno para os padrões da série, há mais textos do que acontecimentos relevantes. Só de mencionar personagens, já mostrei que eles sobreviveram aos livros anteriores, falar mais sobre a história seria entregar praticamente todo o resto.

Wild Cards livro 8 foi publicado aqui no Brasil pela Leya em parceria com o site Omelete só em 2017. É o menor dos livros da série até agora, apenas 303 páginas. Funciona como epílogo dos anteriores e como prólogo para os próximos, o que me desagradou. Só gostei por gostar da série como um todo, ou, dito de outra forma, por ter lido desde o início. Então que venha o nono livro e tire esse gosto meio amargo de entre safra.

Boas Leituras e até breve!

Rodrigo Rosas Campos

P.S.: para evidenciar a natureza RPGística da série, aqui vão algumas fichas para 3D&T. Aviso: Alerta de spoilers!

Senhor Ninguém
3D&T – Defensores de Tóquio 3ª Edição Alpha -Ficha de Personagem
Nome: Senhor Ninguém
Pontos: 5
Características:
Força: 0
Habilidade: 1
Resistência: 1
Armadura: 1
Poder De Fogo: 1
Pontos de Vida: 5
Pontos de Magia: 5
Pontos de Experiência:
Vantagens: metamorfose (2 pontos); riqueza (2 pontos).
Desvantagens: código dos heróis (-1 ponto); ponto fraco (-1 ponto); munição limitada (-1 ponto).
Tipos de Dano:
Força: esmagamento.
Poder de Fogo: perfuração (arma de fogo).
Magias Conhecidas: nenhuma.
Dinheiro e Itens: uma pistola e o resto não cabe aqui.
História: Wild Cards livros 1 ao 8.

Um Saltador
3D&T – Defensores de Tóquio 3ª Edição Alpha -Ficha de Personagem
Nome: Um Saltador
Pontos: 5
Características:
Força: 0
Habilidade: 1
Resistência: 2
Armadura: 0
Poder De Fogo: 2
Pontos de Vida: 10
Pontos de Magia: 10
Pontos de Experiência:
Vantagens: controle mental (2 pontos).
Desvantagens: ponto fraco (-1 ponto); munição limitada (-1 ponto).
Tipos de Dano:
Força: esmagamento.
Poder de Fogo:
Magias Conhecidas: nenhuma.
Dinheiro e Itens:
História: Wild Cards livro 8. Para efeito de interpretação, ele troca de corpo com a vítima, passando a ter a perspectiva dela, enquanto a vítima fica no corpo dele. Isso não está previsto nas regras mecânicas de 3D&T, mas é uma questão de interpretação.

Verônica
3D&T – Defensores de Tóquio 3ª Edição Alpha -Ficha de Personagem
Nome: Verônica
Pontos: 10
Características:
Força: 0
Habilidade: 1
Resistência: 2
Armadura: 0
Poder De Fogo: 2
Pontos de Vida: 10
Pontos de Magia: 10
Pontos de Experiência:
Vantagens: esportes (2 pontos); artes (2 pontos); aparência deslumbrante (1 ponto); paralisar (1 ponto); controle mental (2 pontos).
Desvantagens: má fama (-1 ponto); ponto fraco (-1 ponto); identidade secreta (-1 ponto) Ás na manga.
Tipos de Dano:
Força: esmagamento.
Poder de Fogo: eletricidade.
Magias Conhecidas: nenhuma.
Dinheiro e Itens:
História: Wild Cards livros 1 ao 8. Sim, ela virou uma Ás.

Um Príncipe Demoníaco Padrão
3D&T – Defensores de Tóquio 3ª Edição Alpha -Ficha de Personagem
Nome: Um Príncipe Demoníaco Padrão
Pontos: 5
Características:
Força: 1
Habilidade: 1
Resistência: 1
Armadura: 1
Poder De Fogo: 1
Pontos de Vida: 5
Pontos de Magia: 5
Pontos de Experiência:
Vantagens: esportes (2 pontos); condução, mecânica e armadilhas (1 ponto).
Desvantagens: Monstruoso (-1 ponto); má fama (-1 ponto); munição limitada (-1 ponto).
Tipos de Dano:
Força: corte (garras).
Poder de Fogo: perfuração (armas de fogo).
Magias Conhecidas: nenhuma.
Dinheiro e Itens:
História: Wild Cards livro 8. Membro de uma gangue de rua coringa.

Um Lobisomem Padrão
3D&T – Defensores de Tóquio 3ª Edição Alpha -Ficha de Personagem
Nome: Um Lobisomem Padrão
Pontos: 5
Características:
Força: 1
Habilidade: 1
Resistência: 1
Armadura: 1
Poder De Fogo: 1
Pontos de Vida: 5
Pontos de Magia: 5
Pontos de Experiência:
Vantagens: esportes (2 pontos); condução, intimidação e armadilhas (1 ponto).
Desvantagens: Monstruoso (-1 ponto); má fama (-1 ponto); munição limitada (-1 ponto).
Tipos de Dano:
Força: corte (garras).
Poder de Fogo: perfuração (armas de fogo).
Magias Conhecidas: nenhuma.
Dinheiro e Itens: armas e mascara de borracha que retrata uma celebridade escolhida pelo Feiticeiro, líder do grupo. De tempos em tempos, Feiticeiro escolhe uma celebridade diferente.
História: todos os livros de Wild Cards. Membro de uma gangue de rua coringa. Trabalham para os Punhos Sombrios.

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Um comentário em “[Resenha #141] Wild Cards Livro 8 Luta de Valetes – a Entrada de Chris Claremont na Mesa de RPG de George R. R. Martin

    […] a esta edição específica: o livro 9 não passa de uma continuação cujo início está no 7 e no 8 e o fim, segundo os sites oficiais gringos, estará no […]

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