[Resenha#89] RPG Mighty Blade – 3ª Edição

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RPG é um jogo de interpretação de personagens, onde a interpretação de todos conta uma história feita coletivamente. Mighty Blade é um sistema de RPG de temática medieval, espada, magia e fantasia, criado por Tiago Junges. Sua 3ª Edição também conta com os autores Domênico Gay e Luciano Abel. Este RPG, 100% nacional, é editado e vendido pela Coisinha Verde. O cenário oficial de Mighty Blade é Drakon. O título do livro é o nome da espada mágica única mais poderosa de Drakon, só existe uma Mighty Blade em todo aquele mundo. Entretanto, utilizando as regras do sistema Mighty Blade, o mestre pode adaptar qualquer mundo de fantasia medieval, criar seu próprio mundo medieval de espada e magia ou mesmo, eliminando a parte mística, fantástica e mágica, jogar num cenário de idade média historicamente realista.

    Ao contrário dos seus filhos e netos eletrônicos e online, RPGs de livro não trazem as coisas totalmente prontas, precisam de um grupo presencial e exercícios de interpretação e imaginação para que cada grupo crie seus mundos e personagens. Isso é o que torna esse passatempo tão instigante. É um grande exercício de criação coletiva.

    O livro Mighty Blade é bem didático em relação a criação dos personagens, apresentando inclusive um plano de carreira para os personagens jogadores. Quando um personagem jogador chegar ao nível 10, ele será entregue ao mestre e o jogador deverá criar um outro personagem de nível 1 (ou virar o mestre no lugar do mestre se o grupo gostar de se revesar nesse papel): “Ao final de cada partida, o mestre recompensará cada personagem com Pontos de Experiência […]. Quando conquistar 10 pontos de experiência, o personagem sobe de nível.” (Junges, p.40, 2017).

    A cada nível conquistado o personagem recebe: 1 nova habilidade (a ser escolhida entre as gerais, de raça ou classe), e 1 ponto de evolução. Este ponto de evolução pode ser convertido em: +10 pontos de mana permanentes; ou +10 pontos de vida permanentes; ou +5 pontos de vida permanentes e +5 pontos de mana permanentes; ou ainda, na aquisição de uma nova classe como aprendiz. Nos níveis 4, 7 e 10, o personagem ganha, automaticamente +1 ponto permanente em dois atributos escolhidos pelo jogador (entre força, agilidade, inteligência e vontade). Portanto, vale a pena lembrar, nada de preencher a ficha com caneta.

    No caso do personagem ser aprendiz de uma nova classe, ele precisará de um mentor que pode ser um personagem do mestre ou outro personagem jogador. O personagem poderá ter, no máximo, duas classes, a de origem e a de aprendiz, ou seja, aprendiz de classe é um aperfeiçoamento que ele só adquire uma vez.

    As diferenças entre guerreiros e magos, humanos e elfos etc. é mais qualitativa, suas especialidades em virtude de seus papéis de combate. Em termos de pontuação total, todos os personagens jogadores são bem balanceados no início e esse balanceamento tende a permanecer. Fora a interpretação que cada jogador terá que executar para deixar seu personagem o mais único possível. A personalização também é um ponto alto do sistema. Há a possibilidade de fuga de estereótipos e o feiticeiro do grupo ser o DPS e o patrulheiro o cura. Afinal, o feiticeiro pode ficar disparando magias feito um alucinado com sangue nos olhos e o patrulheiro pode conhecer tudo sobre ervas medicinais.

    Para jogar Mighty Blade você precisará de: um grupo, do livro Mighty Blade, papel, lápis, borracha e dados de seis faces. Isso mesmo, dados de 6 faces, comuns, que você acha em qualquer loja de brinquedos ou papelaria, em pacotes baratos com seis dados cada. Se você tem algum jogo de tabuleiro que envolva dados (um simples jogo de fortuna, corrida de carrinhos, ou Ludo e Ludo Real por exemplo), parabéns, você já tem um (ou mais) dados de 6 faces. A simplicidade de Mighty Blade faz com que o grupo possa se concentrar na história, você não precisa recorrer a dados diferentes, importados e caros, e não precisará rolar dados até para amarrar sapatos ou respirar, por exemplo.
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    Os autores se preocupam em deixar o texto o mais simples possível, visando também os mestres e jogadores iniciantes no RPG de modo geral. A criação de personagem é simples, mas são várias possibilidades. Uma excelente pedida para iniciantes, mantendo-se instigante para veteranos que queiram se concentrar na história. A arte de Domênico Gay é matadora, as armas, armaduras e escudos são mostrados em detalhes impressionantes.

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    O livro traz o modelo da ficha que deverá ser copiado (por xerox ou manualmente), mas no site do jogo (www.mightyblade.com), é possível baixar gratuitamente e imprimir uma ficha de 2 páginas mais completa e abrangente. Fazer isso é minha primeira dica. As fichas de jogo devem ser preenchidas a lápis. Os números mudam no decorrer do jogo o tempo todo.

    Não se assuste com as 176 páginas do livro. As regras são explicadas de forma bem simples e o livro é ricamente ilustrado. Antes de criar o personagem, leia o livro inteiro, mesmo que você seja o mestre. Os 3 personagens iniciais que fiz, ficaram toscos, pois os criei lendo diagonalmente, falha minha. Leia o volume todo para ter uma ideia do que quer fazer e de como fazer direito, esta é minha segunda dica. Algumas habilidades possuem pré-requisitos e elas estão dispostas de acordo com a raça e a classe do personagem em ordem alfabética.

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    A maioria das habilidades gerais, não são tão gerais assim. Ou exigem um nível alto de personagem, não podem ser selecionadas na criação do personagem jogador, ou possuem limitações e restrições, ou as duas coisas. Atletismo é a única habilidade geral disponível que pode ser escolhida por todos os personagens jogadores no momento da criação. Minha terceira dica é escolha atletismo.

    Recursos (seu personagem é rico) é outra habilidade geral polêmica. Só pode ser escolhida na criação do personagem, não podendo ser adquirida depois e, ainda assim, é proibida para hamelins e pode ser vedada pelo mestre. Os autores até recomendam sua proibição, ou seja, na prática ou o mestre permite que todos os jogadores a tenham ou nenhum terá. Acontece que as 400 moedas iniciais por personagem jogador é realmente pouco, os melhores equipamentos são caros. Comprar aquele cavalo puro sangue no início pode te deixar desarmado e ainda devendo. Deixar o benefício de recursos a um personagem jogador apenas não seria legal. Dinheiro é importante neste sistema. Se bem que o membro do grupo com recursos poderia ser o patrono e comprar itens que serviriam ao grupo todo também. Tá vendo Tiago, Domênico e Luciano, resolvi o problema. Se personagens jogadores podem ser mentores de outros personagens jogadores, por que não um jogador com recursos que sirva de patrono aos demais? Jogador fominha, não vale usar recursos e querer ser o dono da bola, o dono do campo, o dono do jogo, o dono do time e o dono do time adversário também. Bom senso.

    As raças disponíveis aos jogadores são: aesir (gigantes das neves), anões, elfos, faens (povo fada), faunos, firas (povo fogo do deserto), humanos, jubans (povo gato com predomínio de leão), levent (povo pássaro), mahoks (povo de pedra, troll) e tailox (povo raposa). No site, há mais raças disponíveis. As classes disponíveis aos jogadores são: bardo, druida, espadachim, feiticeiro, guerreiro, ladino, paladino, patrulheiro, rúnico, sacerdote e xamã. Notou que não há mago? Mago e bruxa são termos genéricos para as classes que lidam com magia, arte e misticismo. Todas as raças podem escolher qualquer classe, mas há um conjunto de classes mais comuns para cada raça. Novamente, leia o livro todo, fazendo anotações antes de convidar os amigos e começar a brincar. Outra dica é baixar o Monstrum Codex no arquivo mc_errata.pdf, a revisão dos monstros feita para a terceira edição do sistema e disponível gratuitamente no site do jogo.

    Todo jogador terá que ler o capítulo de equipamentos e armas, o dedicado ao mestre fica antes, não custa aos jogadores lerem o capítulo dedicado ao mestre. Quanto mais gente na mesa tiver a noção do funcionamento total das regras, maior será a diversão de todos, pois todos se ajudarão. O RPG é um jogo de interpretação de personagens, aonde a interpretação de todos conta uma história feita coletivamente, mas é um jogo que segue regras para ninguém abusar ou se sobrepor.

    O livro custa R$35,00 (+frete) e está a venda no site Mighty Blade (www.mightyblade.com). A referência bibliográfica do livro é:

    JUNGES, Tiago/ ABEL, Luciano/ GAY, Domênico.  Mighty Blade.  3ª ed.  Porto Alegue: Publicações Coisinha Verde, 2017.

    Mas a melhor notícia deixei para o final. Se a grana estiver curta, a versão online do livro pode ser baixada gratuitamente em www.mightyblade.com, além de muito material de suporte igualmente gratuito online. E isso inclui as edições, suplementos e versões anteriores do sistema. O cadastramento gratuito no site ainda dá direito a mais material grátis. Duvida? Confira!

    Para os que conheciam a versão anterior do sistema, a 2.5, o jogo em sua nova edição ficou mais complexo sem perder sua simplicidade inerente. Mas seria legal um guia de conversão detalhado oficial, fica a dica!

    Boas leituras, bons jogos e boas campanhas!

    Rodrigo Rosas Campos

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