[Resenha#86] O Beijo No Asfalto

Postado em Atualizado em

obeijonoasfalto O Beijo no Asfalto é uma das mais polêmicas e conhecidas peças de Nelson Rodrigues. Se passa na década de 1960, quando foi encenada pela primeira vez e hoje, em plena era da informação instantânea, das redes sociais e do cyber bulling, é mais atual do que nunca.

Arandir presencia um atropelamento. O último desejo do atropelado moribundo é um beijo na boca. Não há tempo de chamar outra pessoa e Arandir beija o homem para realizar-lhe o seu último desejo.

Mas havia um repórter no meio da multidão, o beijo foi fotografado e virou notícia nos jornais. Desde então, a vida de Arandir, casado, pacato cidadão típico, vira um inferno de difamações e calúnias.

 A imprensa, em nome da venda de jornais, transforma, sem pudor, a vida de Arandir num circo sensacionalista. Seu casamento fica abalado, seu emprego fica por um fio. Toda uma vida perdida por um ato de caridade, não negar a um moribundo um último beijo, ainda que no asfalto.

 Elogiar O Beijo no Asfalto e seu autor Nelson Rodrigues é chover no molhado. O brilhante dramaturgo tomou para si a missão de não permitir que ninguém ignorasse os sofrimentos humanos. O Beijo no Asfalto é um alerta sobre o mau uso do poder da imprensa e uma tragédia brilhante. Um texto que merece muito ser lido, uma peça que merece muito ser assistida, uma história para nos fazer refletir e pensar e não prejulgar.

 A edição usada para essa resenha é da Editora Nova Fronteira, de 1995.

Boas leituras e até breve!

Rodrigo Rosas Campos

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s