[Resenha#82] São Paulo dos Mortos I, II e III: Resenha Geral

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SpM1Desaconselhável para menores de 18 anos.

    Sim, apoiei São Paulo dos Mortos III no Catarse e escolhi a recompensa que ganhava os três volumes juntos. Não li os anteriores antes, e li todos de uma vez a partir do primeiro assim que minha recompensa chegou.
    São Paulo dos Mortos é uma série de quadrinhos com o tema apocalipse zumbi, ambientada em São Paulo (obviamente) cujos roteiros são escritos por Daniel Esteves e a arte é feita por vários artistas. Os volumes um e três contém histórias curtas. O volume dois traz somente a história do Morto Boy.

    Todos os volumes contam com a participação de mais de um artista, desenhista e/ou arte-finalista e, além das histórias, traz ilustrações de páginas inteiras, geralmente, entre as histórias. Todas possuem capas em cores e interior em preto e branco, formato americano, mas coração brasileiro e paulista.

    Os volumes 1 e 3 foram financiados através do Catarse, o segundo foi financiado pelo primeiro. Vide os vídeos de Daniel Esteves no Catarse e entrevistas dele pelos sites, vlogs do You Tube e podcasts sobre quadrinhos na Internet para mais detalhes sobre a gênese e os bastidores dessa série.

    E antes que a patrulha TWD fique de mimimi, dizendo que Esteves surfou na onda; Robert Kirkman, autor dos quadrinhos The Walking Dead, chupou os filmes de George A. Romero. O próprio Kirkman admite isso. E isso numa época em que videogames com o tema zumbi estavam bombando; o jogo original Resident Evil, também conhecido como Biohazard, foi lançado em 1996. Além do que, mortos-vivos em geral são uma temática universal de horror e terror. Sim, antes de ser série de TV ou qualquer outra coisa, TWD é quadrinho e Kirkman surfou na onda zumbi dos videogames!

    Lembrando, todos os roteiros e textos da série foram escritos por Daniel Esteves.

    Bom, agora as resenhas propriamente ditas, começando por São Paulo dos Mortos, o primeiro volume. São Paulo dos Mortos tem capa de Wanderson de Souza (lápis) e Al Stefano (cores), que forma uma ilustração única junto com a contracapa. Foi publicada originalmente em 2013. Traz as histórias:

    Antes dos Mortos tem desenhos de Jozz. História sobre o ataque real da polícia a comunidade do Pinheirinho em São José dos Campos no ano de 2012.

    Próxima Estação conta com a arte de Al Stefano. 2022, uma mulher nos subterrâneos do metrô de São Paulo tenta fugir de um dos primeiros ataques dos zumbis.

    Com Você no Fim do Mundo tem arte de Laudo Ferreira (lápis) e Omar Viñole (nanquim). Para ser lida ao som do hit brega “Eu vou Tirar Você Desse Lugar”. Como lidar com entes queridos que viraram zumbis? O que você faria por amor a uma mulher que virou zumbi? Garante boas gargalhadas e uma dose cavalar de prazer culpado e politicamente incorreto.

    Vício tem arte de Ibraim Roberson e Lucas Perdomo. É uma aventura na cracolândia que se eu continuar comentando dou spoiler.

    Itaquerão, com arte de Bono (lápis) e Viñole (nanquim), vemos um clássico do futebol paulista, Corinthians x São Paulo jogado por três moleques malucos com jogadores, trio de arbitragem e uma torcida de zumbis. Só zoeira, bagulho doido, mano!

    Carona Para o Governador é a última história e melhor história do primeiro livro. Com arte de Wagner de Souza e Alex Rodrigues. Como ficam as relações de poder e autoridade no caos do fim do mundo? Um grupo de sobreviventes conduz o Governador de São Paulo rumo a sobrevivência, mas será que o Governador sobreviverá? Em caso afirmativo, ele ainda terá algo a governar?

    As histórias do primeiro volume funcionam como contos isolados e ganham uma unidade a medida que o leitor as lê. Uma bela história de terror com uma pegada metafórica da situação política brasileira, tal como A Noite dos Mortos-Vivos de George Romero tratou implicitamente do racismo nos EUA e da guerra do Vietnã. Um quadrinho nacional de terror imperdível. Atualmente disponível para compra no site da Zapata Edições, juntamente com os volumes II e III. 96 páginas.
SPM2
    São Paulo dos Mortos II tem capa de Wagner de Souza, que forma uma ilustração única junto com a contracapa, e é a melhor arte de toda a série MESMO. Traz somente a história do Deivison, o Morto Boy do título. Ilustrada por: Alex Rodrigues (maior parte), Samuel Bono, Will, Laudo Ferreira, Al Stefano e Denis Mello. Foi publicada em 2014, 36 páginas. É uma aventura da melhor qualidade mostrando um dia da vida de um moto boy da cidade de São Paulo no meio do apocalipse zumbi. Divertida e instigante, nosso herói se depara com zumbis, um desafio de karaokê, um patrão arrogante e seu mordomo puxa-saco mais arrogante ainda, uma senhora japonesa que cuida de gatos zumbis e muita zoeira. Melhor história da série!

Acréscimo Importante!

Sobre a arte da capa de SPM 2: de Wagner de Souza, digna de um Frank Frazetta, de um Alex Ross, de um Earl Noren ou de um Joe Jusko. Não é uma pintura a óleo, é 100% digital, e não é fake!

Descobri isso falando com Daniel Esteves, que esteve na Baratos da Ribeiro, aqui no Rio de Janeiro, para divulgar São Paulo dos Mortos e outras publicações da Zapata Edições.

Parabéns Wagner de Souza pelo excelente trabalho e por me fazer vencer o preconceito que tinha contra pintura e desenhos digitais, que ficam, na grande maioria das vezes, fakes!

    São Paulo dos SPM3Mortos III tem capa de Alex Rodrigues, publicada em 2016 com 88 páginas. Traz as histórias:

    Zoológico de São Paulo, com arte de Al Stefano. Um odontologista ganha a vida extraindo os dentes de entes queridos que viraram zumbis e os parentes ficam com pena de matar. Um dia é chamado para extrair os dentes de um casal de leões no Zoo de São Paulo. Um brilhante conto que usa os mortos-vivos como metáfora para falar de luto. Daniel Esteves está de parabéns.

    Roller Dead, com arte de Sueli Mendes, mostra a história de uma menina que sofreu com os mal tratos do pai contra ela e sua mãe e a fidelidade de uma cachorra, a Furiosa, mesmo depois da morte e da transformação em zumbi.

    Churrasco Grego é uma tocante história sem palavras desenhada por Ibraim Roberson a partir de um roteiro de Daniel Esteves.

    Zegna, com arte de Samuel Bono e Omar Viñole. Como você reagiria a um empresário que, em pleno apocalipse zumbi, acha que um terno de marca é prioridade?

    Templo possui arte de Alex Rodrigues. Morto boy e Doutor se encontram para realizar uma tarefa na comunidade cristã que está sitiada em um grande templo. Lá chegando se deparam com pessoas a beira de uma nova idade média teocrática, conspirações e disputas internas dos bispos por poder. Conseguirão eles realizar o trabalho e escapar com vida?

    E essa foi a última história publicada de série São Paulo dos Mortos destes três volumes. Como as tramas são muito curtas, penei para não dar spoilers. Muita coisa eu só percebi por ter lido as três edições na ordem correta e de uma só vez. Notou que o primeiro foi publicado em 2013, o segundo em 2014 e o terceiro em 2016? Isso é sinal de carinho e respeito de Daniel Esteves com sua própria criação e seus leitores. Ele escreve quando tem algo relevante a contar, não para fazer salsichas mensais de tramas repetidas e redundantes. Mas lembrando: as histórias e edições são fechadas, o leitor é livre para ler só uma, duas ou as três e pode tirá-las da ordem a vontade. O formato externo é americano, mas o coração é brasileiro, e graças a Deus, no modo de fazer quadrinhos, o brasileiro se pauta nos franco-belgas, todas as histórias são planejadas para serem fechadas e relevantes. Mesmo quando há referências e os personagens estão no mesmo universo, as referências não se convertem em pré-requisitos para o entendimento, o leitor é respeitado. Qualquer desses três livros é perfeito para fãs de quadrinhos brasileiros de terror e leitores ocasionais.

    Adquiri esse pacote de 3 edições na campanha de São Paulo dos Mortos III no Catarse, não sei o preço no site da Zapata Edições. Além dos artistas mencionados acima, que desenharam as histórias, há os não mencionados que fizeram as ilustrações para as galerias internas das edições. Todas incríveis. Parabéns a todos, sobretudo ao editor sênior da Zapata Edições.

    Boas leituras!

    Rodrigo Rosas Campos

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