[ENSAIO] Os Filhos de Watchmen: De Como A Saga de Alan Moore e Dave Gibbons, que Desconstruiu os Super-Heróis, Influenciou Tudo Depois

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Alerta de Spoilers!

Se você ainda não leu Watchmen, pare agora!
O mesmo vale para todas as obras mencionadas aqui: Astro City, Reino do Amanhã, A Era de Ouro, Wild Cards (ou Cartas Selvagens), Para o Homem Que Têm Tudo, Crise nas Infinitas Terras, 1984, Crise de Identidade, Os Supremos (The Ultimates), Authority, Marvels, Planetary, Ex Machina, O Cavaleiro das Trevas e Admirável Mundo Novo.

As histórias mencionadas aqui não são recentes, se o leitor ainda não as leu e, ainda assim, continuar, um ou outro spoiler pode ser inevitável.

Ainda está aí, ou você já leu Watchmen e as outras histórias, ou fique por sua conta e risco.

1. Um Pouco Sobre os Bastidores de Watchmen

Apesar de Watchmen ter sido uma revolução, a chamada desconstrução dos super-heróis começou antes. Em 1997 Neil Gaiman escreveu um prefácio para uma edição encadernada de Astro City. Nesse texto, ele lembra que houve uma desconstrução dos super-heróis anterior a Watchmen e a Cartas Selvagens. Tal obra saiu em prosa (num livro sem figuras). Vejamos o que Gaiman declarou:

“Em seu romance Superfolks, Robert Mayer usou super-heróis como metáfora para tudo o que os Estados Unidos se tornaram nos anos 1970; a perda do sonho americano significava a perda dos sonhos americanos e vice-versa.” (GAIMAN, p.10, 1997)

Todos já devem conhecer a história por trás de Watchmen, mas não tem como falar dessa série sem lembrar de seus bastidores.

A DC, editora do Superman, Batman, Mulher-Maravilha, Novos Titãs etc., tinha o hábito de comprar editoras menores e seus respectivos personagens. Uma dessas editoras foi a Charlton Comics, cujos principais personagens eram Besouro Azul, Questão, Pacificador, Capitão Átomo, Peter Cannon/Thunderbolt e Nightshade. Com essas novas aquisições, os editores quiseram revitalizar esses personagens para um novo público na década de 1980. Para essa missão foram chamados: Alan Moore para os roteiros; ele já escrevia com sucesso nos quadrinhos britânicos e na própria DC, com sua memorável passagem pelo Monstro do Pantano; e Dave Gibbons para os desenhos; parceiro de Moore em vários trabalhos anteriores na Inglaterra e que, na DC, junto com Moore, havia feito a – considerada por muitos – melhor história do Superman de todos os tempos, a emblemática Para o Homem que Têm Tudo.

Ficou estabelecido que a trama seria uma minissérie envolvendo todos os personagens da Charlton Comics de uma vez só. Moore escreveu os primeiros roteiros que começavam com o assassinato do Pacificador. Os editores da DC gostaram da trama, mas a acharam ousada demais. Temeram que os personagens ficassem inutilizáveis para futuras publicações comerciais, assim como a venda de produtos relacionados.

Mas, para aproveitar a história, eles pediram a Moore e Gibbons que a reescrevessem, mas com os seus próprios personagens. Tendo agora personagens próprios, sem amarras cronológicas passadas e sem amarras de interesse comercial para limitar seus futuros, Moore e Gibbons fizeram de Comediante, Coruja II, Espectral II, Dr. Manhattan, Ozymandias e Rorscharch o maior sucesso de público e crítica da DC Comics de todos os tempos.

Entretanto, o acordo, feito entre a DC e os autores, previu que os direitos de tudo envolvendo Watchmen ficariam com a DC enquanto ela republicasse a história. Ou seja, os autores continuaram a produzir sob uma variante do contrato original. Ninguém previu o tamanho do sucesso, mas todos quiseram ousar. Assim, a revitalização dos personagens da Charlton Comics foi adiada e nascia Watchmen, a história de quadrinhos de super-heróis que elevou, finalmente, os super-heróis ao status de arte de forma incontestável.

Toda ousadia que não foi permitida com os personagens oficiais da antiga Charlton Comics estava liberada. Watchmen é uma obra revolucionária em tudo, até para os dias de hoje. Suas republicações pelo mundo todo são, até hoje, o produto mais lucrativo da editora estadunidense. Isso sem contar as vendas de estatuetas, camisas, o filme (e seus produtos mais específicos relacionados) e tantos outros produtos derivados. Muitos, como o RPG oficial, nem chegaram no Brasil (a não ser importados).

Na história vemos um único herói que ganhou superpoderes e se afastou da humanidade, vigilantes com sérios problemas psicológicos e até com inclinações nazistas atuando nos EUA desde antes da Segunda Grande Guerra Mundial. O mundo de Watchmen não é tão preto e branco quanto o sofrido, rancoroso, amargo e intolerante Rorscharch gostaria. E mesmo com todos esses defeitos monstruosos, nós nos importamos com cada um deles.

“[…] a perda do sonho americano significava a perda dos sonhos americanos e vice-versa.” (GAIMAN, p.10, 1997)

Ou ainda, lembrando a cena em que o Coruja II pergunta ao Comediante o que aconteceu com o sonho americano, o Comediante pede ao Coruja II que olhe ao redor daquele caos e diz que o sonho virou realidade.

Pelo brilhante texto de Moore, entendemos como a Espectral I perdoou o Comediante e que lógica há nas atitudes controversas do todo poderoso Dr. Manhattan, único daquele universo a ter superpoderes e o superpoder dele é poder fazer, simplesmente, tudo. Tudo mesmo.

Watchmen foi publicada originalmente nos EUA entre 1986 e 1987 pela DC Comics. A série logo ganhou o mundo com sucesso, consagrando definitivamente o nome de Alan Moore.

2. A História

Watchmen se passa numa Terra alternativa onde o surgimento do Dr. Manhattan em 1959 muda completamente a história. O EUA vencem a guerra do Vietnã; o escândalo de Watergate nunca acontece; Nixon é reeleito e os vigilantes mascarados que não estão a serviço do governo são caçados.

Pouco antes da caça as bruxas, Ozimandias revela-se Adrian Veidt, desiste do vigilantismo e enriquece explorando sua antiga carreira de vigilante com livros de autoajuda, filmes, desenhos animados e brinquedos baseados em si mesmo.

Rorscharch enlouquece durante um brutal caso de sequestro e assassinato de uma menina, separa-se da parceria com o Coruja II e torna-se ilegal depois da Lei Keene, que proíbe a atuação de vigilantes mascarados.

Anos depois, o Comediante, que trabalhou para o governo americano desde a segunda Guerra e tinha vários inimigos políticos e pessoais, é assassinado. Rorscharch descobre sua identidade e vai alertar os antigos justiceiros mascarados sobre uma conspiração para matá-los.

Watchmen trás muitas referências da editora DC e da antiga Charlton Comics espalhadas pela história. As duas mais gritantes são: o emblema do governo na base militar onde o Dr. Manhattan faz suas pesquisas – Rockfeller Military Research Center – é uma variação do S do Superman. Isso está no quadro 1 da página 21 da edição 1 de 12 da editora Abril de 1999; depois que a mãe de Rorscharch perde a guarda do filho por maus tratos, ele é encaminhado ao lar Charlton, o nome da antiga editora do Questão e companhia. Isso está nos fac-símiles de documentos da edição 6 de 12 da Abril de 1999. Notem que estes são só os exemplos mais gritantes. Moore adora por referências sutis em todas as tramas que escreve, com Watchmen não foi diferente.

A série Watchmen se consolidou como uma história fechada de Alan Moore e Dave Gibbons que agradou fãs de várias gerações. Qualquer tentativa que a DC fizesse de continuar esse universo sem seus criadores só poderia resultar em fracasso, como, aliais, já foi Before Watchmen. Isso, infelizmente, terá que ser retomado mais tarde. Esperemos que os executivos da DC tenham aprendido a lição.

3. O Ás na Manga Esquecido da Revolução (ou Uma Vertente Esquecida)

“A ressurgência dos quadrinhos ocorrida na época também transpareceu na ficção em prosa; os primeiros volumes das antologias Wild Cards, editadas dor George R. R. Martin, mostram um bom trabalho ao evocarem novamente […] super-heróis num contexto de prosa.” (GAIMAN, p.11, 1997).

Não foi só Watchmen que revolucionou o modo como o grande público enxergava os super-heróis. Durante a produção de Watchmen, o primeiro livro de Cartas Selvagens também estava sendo gestado.

Um grupo de RPG, cujo mestre era um certo George R. R. Martin, entra em contato com o sistema Super World, de Steve Perrin, especializado em super-heróis. Logo eles criam os próprios personagens, cenários e toda a campanha em si. Para ajudar um dos membros com problemas financeiros, eles decidem romancear a campanha. George R. R. Martin já era editor e o grupo decidiu que todos os heróis daquele universo seriam adultos, mais voltados para a ficção científica do que para a fantasia e que, por isso, teriam uma origem comum. Todos os personagens mudaram para entrarem nesse novo contexto. Coube a Melinda Snodgrass criar o Doutor Tachion, alienígena que criou o vírus carta selvagem que se espalhou pela Terra gerando mutações, mortes ou deformidades na população mundial. Coube a Martin, o mestre da mesa, escrever as lacunas, amarrar os textos, polir as incoerências cronológicas e aprovar a redação final. Tudo isso num mundo sem a Internet de hoje, década de 1980.

Toda essa parte da história ocorre junto com a produção de Watchmen, mas o primeiro livro Wild Cards sai algum tempo depois da Watchmen #01 chegar nas comic shops americanas. Apesar de, em Cartas Selvagens, vários personagens terem superpoderes, a discussão é a mesma de Watchmen: como seriam se vivessem no mundo real, se alterassem a história, se envelhecessem etc. Assim, Watchmen e Cartas Selvagens são as mais relevantes obras distópicas a envolverem super-heróis e a revolucionarem o gênero tornando-o, finalmente, adulto.

Num dos Quadrims Casts ouvidos para essa pesquisa, Nikita, Barbara Coelho, menciona a série de quadrinhos Rising Stars. Muitos dirão que essa série parece mais um filho compacto de Cartas Selvagens do que um descendente direto de Watchmen. Digo isso para salientar o quanto a temática das duas séries que redefiniram os super-heróis, Watchmen e Cartas Selvagens, são similares em temática, questionamentos, textos e contexto, ao ponto de serem facilmente confundidas. Ou não, uma vez que a parcela de leitores de Cartas Selvagens, ao menos aqui no Brasil, é pífia.

Finalmente, agora, Com Vocês:

4. Os Filhos de Watchmen
(ou Todos Querem um Genérico de Watchmen para Chamar de Seu)

Watchmen influenciou praticamente todos os anos 1990. Nos quadrinhos autorais, na própria DC e na Marvel, todos queriam ter um genérico de Watchmen para chamar de seu.

“O problema do reavivamento dos super-heróis em meados de 1980 era que os ganchos temáticos errados eram os mais fáceis de roubar. Watchmen e O Cavaleiro das Trevas deram origem a uma quantidade demasiada de histórias em quadrinhos ruins: sem humor, cinzentas, violentas e monótonas.” (GAIMAN, p.11, 1997).

Neste momento, explícito uma lacuna até aqui: O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, não foi mencionado. Por quê? Apesar de apreciar muito essa história e o trabalho autoral de Miller, Sin City entre outros, considero a parcela de Cavaleiro das Trevas nessa revolução menor. Afinal, Miller não criou o Batman, apenas resgatou e potencializou elementos de violência que existiram na era de ouro, quando o Batman foi criado por Bob Kane e Bill Finger. Para quem acha o Batman de Miller violento, saibam que, antes do Robin, Batman usava uma pistola e matava os criminosos. Voltando a pauta: vejamos os mais notórios rebentos de Watchmen.

4.1. Na Própria DC

Sim, ao ver o sucesso de Watchmen, a DC, que temia pela reputação dos personagens da Charlton, logo se arrependeu, ou, ao menos, assim parece. Ela era a detentora dos diretos da trama e dos personagens, mas o público fiel a série e aos seus criadores jamais aceitaria que outros tocassem naquele universo.

Sem sucesso, os executivos da editora tentaram fazer com que Moore retomasse a história. Isso (entre outras coisinhas que o leitor pode ver ao longo da Internet) gerou a briga entre o autor e a editora. Moore considera Wathcmen uma história fechada. Que cada leitor complete as lacunas como nas obras 1984 e Admirável Mundo Novo, livros fundamentais para o subgênero da ficção científica chamado de distopia. Lembrando que o subgênero cyberpunk também é sobre distopias e é influenciado por esses livros, direta ou indiretamente.

A DC ainda tinha muitos personagens próprios e muita vontade de criar algo que se equiparasse a Watchmen. Os casos mais notórios são comentados aqui. A primeira tentativa foi uma minissérie, em quatro partes, chamada A Era de Ouro.

A Era de Ouro

Para falar sobre A Era de Ouro (título original: “The Golden Age”) é necessário recuar no tempo, antes da Crise nas Infinitas Terras.

A DC usava o multiverso como explicação para que suas estrelas maiores da Liga da Justiça estivessem jovens. Assim, o Superman, Batman e a Mulher-Maravilha originais da Sociedade de Justiça da América eram versões mais velhas de outro universo, com o Batman original já morto, inclusive.

Acontece que a cada editora (ou grupo de personagens) que a DC adquiria (por compra ou briga judicial) um novo universo era criado para acomodar esses personagens sem que eles interferissem no que acontecia no universo da Liga da Justiça vigente até então.

Isso não seria tão problemático se os futuros de cada personagem, as vezes do mesmo universo, não divergissem. Se admito que Superman e Flash mais recentes pertencem ao mesmo mundo, como o futuro de um é diferente do outro? Com histórias envolvendo viagens no tempo e entre universos e com todas elas valendo, o público se distanciou da linha editorial da DC e os roteiristas ficavam com muita dificuldade em escrever sem bater de frente com o que fora feito antes.

Estava ficando difícil para os leitores mais novos entenderem todas as histórias da DC, que exigiam cada vez mais conhecimento do passado editorial de cada personagem. Foi aí que a DC resolveu unificar seus universos com a Crise nas Infinitas Terras de Marv Wolfman e George Perez.

Até aí, nenhum problema, os personagens de outras editoras recomeçariam do zero como se tivessem nascido na DC. Era um renascimento geral e nenhuma história anterior teria mais valor. Ficou estabelecido que os heróis da Liga da Justiça seriam do presente e que os duplos da Sociedade da Justiça seriam apagados. Mas, nem toda duplicata era perfeita e muitos eram únicos. Aí recomeçou a confusão.

Superman, Batman e Mulher-Maravilha eram Clark Kent, Bruce Wayne e Diana Princess nos dois universos apagados e continuaram com suas identidades e origens semelhantes (reformuladas, quase idênticas, recontextualizadas, relidas etc.) no unificado, sendo que a identidade da Mulher-Maravilha se tornou pública no pós Crise.

Mas Hawkman, Flash e Lanterna Verde eram Carter Hall, Alan Scott e Jay Garrick na SJA e Katar Hol, Barry Allen e Hall Jordan na LJA, possuíam origens totalmente diferentes nos dois universos e nenhum deles foi apagado no universo unificado. Personagens como o Senhor Destino, Espectro, Vingador Fantasma, Desafiador, Nuclear, entre tantos outros, só existiam em um universo cada. Desse modo, a única diferença entre a antiga SJA e a SJA do universo DC unificado foi que, esta última nunca teve um Superman, um Batman e uma Mulher-Maravilha.

Foi com estes personagens antigos, que eram únicos da era de ouro dos quadrinhos ou que tiveram duplicatas imperfeitas na era de prata, que a SJA ressurgiu no universo unificado da DC, que agora, apostou na premissa de Watchmen para personagens oficiais. Foi a série A Era de Ouro, passada no pós segunda guerra até o início dos anos 1960, dando um salto para os 1980, quando os, até então, novos Superman, Batman e Mulher-Maravilha surgiram.

Apesar de ter sido o primeiro filho de Watchmen da DC, A Era de Ouro não teve o sucesso esperado. Era um Watchmen genérico com os personagens da SJA. A história não era ruim, mas como as comparações com a obra de Moore e Gibbons foram inevitáveis, não repercutiu como os editores da DC comics desejavam. Chegou a ser publicada aqui no Brasil pela editora Metal Pesado, escrita por James Robinson, com arte de Paul Smith. Vale a leitura.

Reino do Amanhã

Sem dúvida o mais querido dos filhos de Watchmen – pela arte matadora de Alex Ross – dentro da própria editora DC comics.

Reino do Amanhã se passa no futuro do universo, até então, unificado da DC. Apesar do texto mais ou menos (e cheio de falhas e incoerências monstruosas) de Mark Waid, a ideia da série, que foi de Alex Ross, foi tão boa e ele caprichou tanto na execução gráfica, que Reino do Amanhã cumpriu com louvor o que a Era de Ouro não conseguira.

Foi por muito tempo o Watchmen dos personagens oficiais da DC. Talvez a Crise de Identidade tenha tirado este posto de Reino do Amanhã. Isso é assunto para um debate que não cabe aqui.

Apesar de ainda ser um Watchmen genérico com os personagens oficiais da DC, a editora teve a coragem de mostrar os lados B do Superman e da Mulher-Maravilha fugindo do clichê “eles mudaram de lado” e mostrando como as decisões erradas de ambos quase levaram o mundo a um colapso total.

A série também funcionou como uma crítica contra os copistas de Moore e Gibbons que lançavam heróis parrudos de videogame aos borbotões, colocavam uma conspiração meia boca como pano de fundo e diziam que aquilo era influência de Watchmen nos famigerados anos 1990. Isso será retomado mais tarde.

Hoje, com a volta do multiverso da DC, Reino do Amanhã continua sendo uma boa história, excelente pela parte do Ross em trama e arte, mas é só mais um universo paralelo da DC.

Crise de Identidade

Num ato de coragem ainda maior que em Reino do Amanhã, a DC permitiu que Brad Meltzer (texto) e Rags Morales (arte) fizessem Crise de Identidade, uma desconstrução dos super-heróis nos moldes de Watchmen, com os personagens oficiais e no presente editorial da época, 2004 nos EUA. Talvez por isso, Crise de Identidade seja o Watchmen da Liga da Justiça, bem mais que Reino do Amanhã.

A trama se dá quando se descobre que os vilões já tinham descoberto as identidades secretas dos heróis e que a LJA, numa decisão polêmica, apagou, por meio de lavagens cerebrais, essas informações deles. Comentar mais seria dar spoilers. É uma história muito recomendada pela crítica especializada, mas, com a volta do multiverso, é de um universo específico da DC.

Before Watchmen: o Filho Bastardo Que Nasceu Morto

Before Watchmen é o mais recente e detestado, para não dizer odiado, de todos os filhos de Watchmen. Odiado por razões óbvias: além de desnecessário, não foi feito por Moore e Gibbons. Essa série desnecessária “funciona” como “prelúdio” para Watchmen. Foi o único fracasso de um produto diretamente derivado de Watchmen. Esse é o único caso em que nem vale a pena creditar os autores específicos. Tudo o que é necessário saber sobre Watchmen está em Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons.

Antes de passar para o próximo tópico, não pense o leitor que o multiverso é ruim, muito pelo contrário. O conceito de universos paralelos valida todas as histórias, boas ou más, desses personagens antigos que continuam sendo publicados com produções inéditas. Se uma história entra em choque com o que aconteceu em histórias passadas, aceite que está num novo universo e que a história anterior também vale. É a relativização da cronologia, são várias linhas de tempo igualmente válidas coexistindo.

4.2. Na Marvel

Os Supremos (The Ultimates)

Para falar dos Supremos, é preciso falar um pouco da Marvel antes do universo ultimate.

Ao contrário da DC, que apresentava seus heróis como símbolos vivos, representantes ideais de virtude, ética e moral, a Marvel sempre mostrou seus heróis como seres humanos normais que ganhavam (ou manifestavam) poderes superiores, mas mantendo os defeitos humanos de antes.

Acontece que os personagens da Marvel também envelheceram, e os leitores novos já não conseguiam entender histórias carregadas de referências de antes deles terem nascido. Até o Homem-Aranha e os X-Men originais já estavam com 30 anos a mais tempo do que seria possível.

Já na década de 1980, a Marvel lançou a linha Novo Universo Marvel, com personagens totalmente inéditos e uma linha de tempo zerada em paralelo com o tradicional num outro selo. Por vários motivos, que não vem ao caso agora, esse universo e seus personagens foram abandonados.

Sem querer criar um recomeço tão radical quanto a Crise nas Infinitas Terras da distinta concorrente, a Marvel, nos anos 1990, criou um novo universo, chamado de Heróis Renascem, que reiniciava somente as histórias do Quarteto Fantástico, Homem de Ferro, Capitão América e Vingadores. Por vários motivos, que não vem ao caso agora, esse universo foi abandonado e seus personagens voltaram para o universo antigo. Pelo menos até alguns retcons e revisitações que, agora, também, não vem ao caso.

Perto dos anos 2000, houve uma nova tentativa da Marvel de recriar seu universo para as novas gerações, mas dessa vez, a editora foi mais ousada. Sem tirar o Homem-Aranha do universo original – não haveria repetição dos erros do projeto Heróis Renascem, que já havia fracassado – a Marvel duplicou seu maior sucesso de todos os tempos. Surgia o universo ultimate com The Ultimate Spider-Man (o Homem-Aranha Ultimate). Foi esse Homem-Aranha, inclusive, a base para os três primeiros filmes do aracnídeo no cinema. Outros títulos seguiram o Homem-Aranha nesse novo universo. Mas a decisão em relação aos Vingadores foi mais ousada ainda. A Marvel também queria um genérico de Watchmen para chamar de seu. E, para isso, até o nome do grupo foi mudado para the Ultimates (os Supremos, na tradução da Abril).

Os Supremos, de Mark Millar (texto) e Bryan Hitch (arte), nasciam como um grupo de super-heróis a serviço da agência secreta S.H.I.E.L.D., ideia reaproveitada dos Vingadores de Heróis Renascem. Mas a pegada de desconstrução daqueles heróis foi bem-feita o suficiente para a série agradar em cheio os fãs adultos e a critica especializada.

O título Os Supremos foi, por muito tempo, sucesso no mundo todo. Mas houve mudanças nas diretrizes editoriais da Marvel e na equipe criativa da revista.

As primeiras histórias dos Supremos são leituras indicadas por muitos fãs e críticos. Mas por vários motivos, que não vem ao caso agora, esse universo foi abandonado e seus personagens duplicados foram apagados da cronologia oficial da Marvel. Bem, pelo menos até segunda ordem (que já aconteceu), quem acompanha a Marvel e a sua distinta concorrente sabe que palavra escrita e dada não vale absolutamente nada para elas.

A história Guerra Civil (Marvel), que já foi adaptada para o cinema, também pode ser encarada como um Watchmen a moda Marvel, mas ela foi só uma consequência comercial do sucesso dos Supremos, só que no universo tradicional (até então corrente) da Marvel, conhecido como 616.

Guerra Civil foi escrita por Mark Millar e desenhada por Steve McNiven em título próprio em 7 edições; mas é necessário ler os títulos específicos dos personagens participantes para uma compreensão completa, decisão editorial burra. Resumindo, é a mesma história do Reino do Amanhã da DC numa escala menor e com maiores pretensões. Capitão América faz o Papel do Batman; Homem de Ferro faz o papel do Superman; Nitro, do Parasita; os Novos Guerreiros, o do Magog e dos heróis mortos da Charlton; o Homem-Aranha funciona como o Capitão Marvel/Shazam; e a S.H.I.E.L.D. como o Luthor, o resto é figurante de luxo. Essa trama só encontrou sua grande popularidade em função do contexto político dos EUA na época em que foi publicada por lá.

Agora, só aguardando o futuro para saber mais. A Marvel passou por um novo reboot, o primeiro de forma assumida. Uma menção honrosa ao Capitão América Negro, um retcon de boa qualidade, que nunca foi publicado aqui no Brasil.

4.3. Nas Independentes

Apesar de as duas grandes tentarem recriar a pegada conspiratória com heróis problemáticos e não inocentes de Watchmen com seus personagens oficiais (TMs), foram os autores independentes que melhor desenvolveram a ideia de desconstruir os super-heróis. Algumas vezes de forma escancarada, outras relativizando-os. Enfim, ficou evidente que o sucesso estrondoso de Watchmen só foi possível porque os personagens foram criados do zero e não reciclados a partir de títulos, marcas e TMs que precisariam ser perpetuados depois. Não era esperado o sucesso comercial de Watchmen, por isso Moore e Gibbons tiveram liberdade e a história teve sucesso total.

Era óbvio que o Rorscharch vinha do Questão, todos conheciam a história por trás da história. Mas ao tirar do Rorscharch o passado do Questão, Moore fez o original passar a ser um genérico tosco de seu próprio derivado. Não a toa, a linha do Questão, de 1986 em diante, passou a aproximá-lo do Rorscharch; enquanto o Questão original era para ser um genérico do bem-humorado Spirit de Will Eisner.

A maioria das editoras independentes (menores) de quadrinhos dos EUA não retira os direitos autorais dos criadores, que recebem pelos direitos autorais, não salários ou pagamentos por prestação de serviços. Neste terreno, os nomes dos escritores e/ou desenhistas valem mais que os nomes dos selos que vinculam suas obras, que podem mudar e mudam de editoras, inclusive.

No final dos anos 1980, os artistas resolveram que não queriam mais jogar talento fora enchendo os cofres das duas grandes, DC e Marvel. Usando a pegada conspiratória de Watchmen, desenvolveram personagens equivalentes das duas grandes editoras em suas obras próprias, na cara dura, e começaram a faturar. É óbvio que esse movimento gerou muito lixo. Estamos falando dos anos 1990, e, até da sociedade que formou a editora Image original.

Nessa época, os videogames de tiro em primeira pessoa, série Doom, Duke Nuken, Quake e Half Life/CS eram febres. Todos os heróis de gibis viraram marombados com trabucos atirando primeiro e nem perguntando depois com histórias toscas e superficiais de conspirações por trás. A violência ficou gratuita e chocante. Sem contar que toda heroína virou uma Lara Croft genérica, com curvas e peitos impossíveis e pouca roupa: se a garota vai dar porrada em bandido, nada melhor que usar um bikini para isso: sim, foi a fase mais machista do gênero.

Todavia, a fase dos grafismos com textos conspiratórios superficiais, violência gratuita, apelação sexual nas personagens femininas exageradas até para o gênero de super-heróis e personagens genéricos inexpressivos começou a acabar quando Alex Ross ilustrou Marvels (o passado da Marvel) e Reino do Amanhã (o futuro da DC). Somente a partir daí, a obra de Moore e Gibbons começou a ser, verdadeiramente, revisitada, as conspirações voltaram a ficar boas e a violência deixou de ser gratuita. Dessas histórias, algumas são dignas de nota pela maioria da crítica especializada.

Mas antes de prosseguir, este ensaio não seria completo sem mencionar o desenho animado da Pixar, os Incríveis. Seu início é totalmente Watchmen. É uma animação, mas deve constar nesse ensaio sobre quadrinhos. Voltemos aos quadrinhos.

Authority

Authority, um mundo com arquétipos (versões genéricas) dos heróis da DC, mas que eles dominaram o mundo, pois decidiram que os humanos normais não eram competentes para continuar no controle. Nesse contexto, sem amarras editoriais, o Meia Noite e o Apolo assumiram que eram gays. Criados por Warren Ellis (texto) e Bryan Hitch (arte).

Planetary

Planetary, um Watchmen com multiverso de Warren Ellis (texto) e John Cassaday (arte).

Ex Machina

Ex Machina; um genérico do Homem de Ferro que revela sua identidade e se torna prefeito de New York. De Brian K. Vaughan (texto) e Tony Harris (arte), é bem a proposta de como seriam esses personagens fictícios em nosso mundo.

Astro City

Astro City; me dê uma chance, continue lendo. Sei que muitos discordarão da colocação dessa série como uma influência direta de Watchmen. Acontece que, nesta cidade, criada por Alex Ross (concepção visual e arte das capas), Kurt Busiek (texto) e Brent Anderson (arte), há heróis representantes de todas as tendências e de todas as eras dos quadrinhos. Logo, é uma série de histórias fechadas para todos os gostos.

Busiek explica que, depois que os super-heróis foram desconstruídos por histórias como Watchmen e O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller (texto e arte), eles precisariam ser reconstruídos. Nesta reconstrução, nada ficou de fora, nenhuma peça foi esquecida, nem os heróis ideais, nem os mais problemáticos, nem os anti-heróis etc.; ou seja, não deixa de ter heróis com a pegada pessimista de Watchmen, mas mostra que um mesmo cenário pode abarcar personagens para todo tipo de público, inclusive os que curtem heróis ideais, e de todas as faixas etárias.

Com efeito, as influências de Moore sobre a equipe já são mostradas na edição 4 do primeiro volume, Proteção, e totalmente sentida no volume dois, Confissão. Outro detalhe a ser destacado são as referências a Watchmen espalhadas logo nas seis primeiras histórias, bem como o fato de que muitos personagens são só vigilantes fantasiados e equipados, sem super poderes. As seis primeiras histórias da série foram republicadas pela Panini em Astro City volume 1 Vida na Cidade Grande, que já havia saído no Brasil.

Astro City também é importante por outras duas razões: a primeira, por ter começado a devolver, ainda nos anos 1990, o status que os super-heróis estavam perdendo nesta década; a segunda, e irônica, é que foi um dos títulos independentes que começou a ser publicado na antiga Image, tirando-a do buraco pouco antes de sua fragmentação. Com a fragmentação da Image, Astro City foi para a Ws de Jim Lee. Este vendeu a Ws para a DC, mas os direitos de Astro City e de muitos títulos da antiga Ws pertencem aos seus criadores. Hoje, a cidade está no selo Vertigo.

Pode-se dizer que Astro City foi o aperfeiçoamento das ideias de seus criadores em Marvels, mostrando como cidadãos humanos normais teriam suas vidas afetadas por vigilantes, super-humanos e seres sobrenaturais de toda a ordem e da perspectiva deles, simples mortais. Por ser uma obra abrangente, cada episódio é um aspecto da vida daquela realidade, e os anti-heróis problemáticos também são abordados. No volume 2, Confissão, Busiek nos remete a caça as bruxas contra os quadrinhos, ao livro A Sedução do Inocente e seus alvos preferidos, quadrinhos de terror e a dupla dinâmica, Batman e Robin. Tudo isso através da história do Confessor, um vampiro vigilante que havia sido padre, e seu ajudante Coroinha, que descobre o segredo do mentor.

Se Batman é um sujeito normal se passando por criatura da noite sobrenatural, o Confessor era uma criatura da noite sobrenatural tentando se passar por um vigilante humano; um contraponto genial concebido por Busiek. Mas o que bate o martelo para que Astro City figure nessa lista é a sua concepção original, só revelada na série Astro City: The Dark Age, cujo primeiro volume foi publicado, pela primeira vez aqui no Brasil, pela Panini, sob o título de Astro City: A Era das Trevas 1: Irmãos & Outros Estranhos.

O agradecimento que Alex Ross faz a Bob Scheck, na época editor da editora independente Dark Horse, é revelador. A Era das Trevas é a maior série desta série de minisséries e histórias fechadas que é Astro City. Com 16 edições originais, foi encadernada lá fora em 2 volumes. É a história que conta, finalmente, o que aconteceu ao Agente de Prata na perspectiva de dois irmãos humanos normais, um policial e um criminoso, e de como eles vivem numa cidade grande cheia de superpoderosos.

Essa é a Era das Trevas do universo de Astro City que foi concebida para ser a primeira história e que foi apresentada a Bob Scheck que a recusou. Busiek e Ross queriam iniciar a série pela desconstrução e mostrar a reconstrução dos heróis aos poucos, mas todos os cenários e personagens eram inéditos.

Scheck lembrou aos dois que nenhum leitor compraria uma trama similar a Watchmen com personagens totalmente inéditos em plenos anos 1990, mesmo depois do sucesso da dupla em Marvels e aproveitando parte da premissa. Novos heróis sombrios era uma premissa que tinha sido bem banalizada nos anos 1990.

Assim, Busiek, Ross e Anderson se concentraram no presente de Astro City, quando a imagem dos heróis já havia sido reconstruída. Ao longo das histórias iniciais, pistas foram sendo dadas para que o leitor soubesse que algo muito grave aconteceu ao Agente de Prata e que isso começou um pouco antes da morte do herói e repercutiu muito tempo depois.

A Era das Trevas conta a história do Agente de Prata e é um chute no saco e um soco no estômago dos que subestimam os roteiros de Kurt Busiek. Ele consegue surpreender com o uso de velhos arquétipos e clichês virando-os do avesso. Aqui, fica claro de que Ross ouviu as ideias de Busiek até em relação a alguns visuais de personagens. Os idiotas que julgam obras pela capa se surpreendem com a história que apresenta o personagem Hellhound. Os leitores que respeitam Busiek ficam curiosos para saber o que o autor fará com aquele arquétipo manjado.

Quando escrevo estas linhas, a Panini está adiando a publicação de Astro City: A Era das Trevas – volume II. Uma lástima.

Projeto Superpowers

Apesar de ser uma boa história, Projeto Superpowers é um genérico de Watchmen com super-heróis que caíram em domínio público. De Alex Ross (texto, concepção visual e artes de capa), Jim Krueger (texto e roteiro), Carlos Paul (arte), Douk Klauba (arte) e Stephen Sadowski (arte). Este foi o projeto em que Alex Ross mais escreveu. Produzida para a editora independente Dynamite, a série, utilizando super-heróis caídos em domínio público, abraça a magia e a ciência miraculosa, características do gênero, para criar um cenário distópico. Apesar de a história ser boa (merece um 7.0), não chega nem perto do brilhantismo e do sucesso dos projetos anteriores e posteriores em que Alex Ross se envolveu.

É fiel ao plot de mundo a beira do caos graças a um erro crasso de um super-herói do passado, o Combatente Ianque; mas deixa o gancho para uma sequência (o Projeto Super Powers 2 etc.) e foi usado como ponto de partida para que a Dynamite criasse seu próprio universo para competir com as gigantes DC e Marvel. Muitos dos outros projetos de Ross nessa editora derivaram dessa primeira série.

Tais fatos geraram uma má aceitação dessa trama pela crítica e público; este já saturado de histórias em que os heróis do passado voltam para consertar tudo e influenciar a novas gerações depois de uma longa ausência, em pleno ano de 2008. Pior ainda, isso ter sido feito pelo próprio Ross que encabeçou a reconstrução com Marvels, Astro City e Reino do Amanhã. Como desenhista, pintor e artista gráfico, Ross é brilhante como sempre, apesar da pintura digital da parte interna soar fake e dos desenhistas não seguirem a risca as concepções visuais dele.

Todavia, como escritor e desenvolvedor de enredos, Ross é autor de um tema só, e, neste projeto, o texto é predominantemente dele, repetindo basicamente a premissa do Reino do Amanhã. O fato do final ter soado como fim de piloto para série de televisão também é um ponto desconcertante. Parece que Ross concebeu uma ambientação de RPG para que outros jogassem. Este foi um projeto da Dynamite Entertainment e o Ross foi o diretor contratado. Apesar de tudo isso, merece uma nota 7.0, mas foi o único dos grandes projetos de Ross a não ganhar nenhum prêmio.

Aliais, outro alvo da crítica é justamento o fato de Ross ter trabalhado sob contrato para a editora. Os direitos de Projeto Superpowers pertencem à editora, não a Ross e sua equipe, apesar dos personagens serem de domínio público, a trama específica criada por Ross é da editora.

Com isso, está encerrada a lista dos mais notórios filhos de Watchmen. Não são os únicos, mas são os mais emblemáticos. Bem verdade que muitos, dignos de nota, ficaram de fora: Powers, The Boys, Invencível e tantos outros também poderiam estar aqui, mas não haveria espaço que chegasse para detalhar todos eles.

“Por que não falou de V de Vingança e da Liga Extraordinária?” Porque V de Vingança e a Liga Extraordinária são do próprio Alan Moore, logo, irmãs de Watchmen. E este texto é sobre obras influenciadas por Moore, não sobre as outras dele mesmo.

Conclusão

Todo admirador verdadeiro do trabalho de Moore e Gibbons concordará que Watchmen é uma história fechada, tão bem-feita e autocontida em suas 12 edições, que não admite nenhuma mudança ou acréscimo. Um universo fechado que não admite interferências ou crises, nem reboots, nem retcons, nem prólogos tardios ou continuações oficiais vindouras etc. Ou seja, o que não for escrito por Moore e desenhado por Gibbons, não é Watchmen, mesmo que alguém na DC coloque esse título.

Todavia, tudo o que foi feito depois de Watchmen, tem algum elemento de Watchmen; a história de super-heróis que se tornou fundamental para o gênero, exatamente por aproximá-lo do terror e da ficção científica distópica e por refletir sobre o fato de que super-humanos seriam tão perigosos quanto magos malignos, vampiros, lobisomens e monstros em geral.

Vale lembrar que a história é boa porque se queria contar uma boa história. O sucesso comercial e a venda de produtos derivados não eram esperados, foram consequências.

Fim

Anexo

Tabela de Equivalência dos personagens da Charlton Comics com os de Watchmen

Universo da antiga Charlton Comics Universo de Watchmen
Pacificador Comediante
Besouro Azul/Ted Kord Coruja II
Nightshade Espectral II
Capitão Átomo Manhattan, Dr.
Peter Cannon, Thunderbolt Ozymandias
Questão Rorscharch

Esta tabela se encontra em tantos sites, que não sei quem a fez originalmente. Ao reproduzi-la, cortei os personagens secundários de Watchmen e seus equivalentes da Charlton.

Bibliografia

Livros

HUXLEY, Aldous. Admirável Mundo Novo. 26ª ed. São Paulo: Globo, 2000.

ORWELL, George. 1984. 23ª ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1998.

ROSS, Alex (história, artes de capas, concepção visual e direção de arte)/ KRUEGER, Jim (história e texto)/ PAUL, Carlos (arte)/ KLAUBA, Doug (arte)/ SADOWSKY, Stephen (arte). Projeto Super Powers. São Paulo: Devir, 2011.

ROSS, Alex (arte)/ WAID, Mark (texto). Reino do Amanhã: Edição Definitiva. São Paulo: Panini, 2013.

Periódicos

ANDERSON, Brent (arte)/ BUSIEK, Kurt (texto)/ ROSS, Alex (capas e concepção visual). Astro City: Vida na Cidade Grande. São Paulo: Panini, 2015.

ANDERSON, Brent (arte)/ BUSIEK, Kurt (texto)/ ROSS, Alex (capas e concepção visual). Astro City volume 2: Confissão. São Paulo: Panini, 2015.

ANDERSON, Brent (arte)/ BUSIEK, Kurt (texto)/ ROSS, Alex (capas e concepção visual). Astro City – volume 6 – A Era das Trevas 1: Irmãos & Outros Estranhos. São Paulo: Panini, 2016.

GAIMAN, Neil. Introdução In ANDERSON, Brent (arte)/ BUSIEK, Kurt (texto)/ ROSS, Alex (capas e concepção visual). Astro City volume 2: Confissão. São Paulo: Panini, 2015. p. 10 – 14.

GIBBONS, Dave (arte)/ MOORE, Alan (texto). Watchmen: Nº 01 de 12. São Paulo: Abril, 1999.

GIBBONS, Dave (arte)/ MOORE, Alan (texto). Watchmen: Nº 02 de 12. São Paulo: Abril, 1999.

GIBBONS, Dave (arte)/ MOORE, Alan (texto). Watchmen: Nº 03 de 12. São Paulo: Abril, 1999.

GIBBONS, Dave (arte)/ MOORE, Alan (texto). Watchmen: Nº 04 de 12. São Paulo: Abril, 1999.

GIBBONS, Dave (arte)/ MOORE, Alan (texto). Watchmen: Nº 05 de 12. São Paulo: Abril, 1999.

GIBBONS, Dave (arte)/ MOORE, Alan (texto). Watchmen: Nº 06 de 12. São Paulo: Abril, 1999.

GIBBONS, Dave (arte)/ MOORE, Alan (texto). Watchmen: Nº 07 de 12. São Paulo: Abril, 1999.

GIBBONS, Dave (arte)/ MOORE, Alan (texto). Watchmen: Nº 08 de 12. São Paulo: Abril, 1999.

GIBBONS, Dave (arte)/ MOORE, Alan (texto). Watchmen: Nº 09 de 12. São Paulo: Abril, 1999.

GIBBONS, Dave (arte)/ MOORE, Alan (texto). Watchmen: Nº 10 de 12. São Paulo: Abril, 1999.

GIBBONS, Dave (arte)/ MOORE, Alan (texto). Watchmen: Nº 11 de 12. São Paulo: Abril, 1999.

GIBBONS, Dave (arte)/ MOORE, Alan (texto). Watchmen: Nº 12 de 12. São Paulo: Abril, 1999.

Sites

ArgCast!
http://www.dinamo.art.br/podcast
http://www.dinamo.art.br/podcast/argcast-71-a-era-de-ouro/.
http://www.dinamo.art.br/podcast/143/.

Guia dos Quadrinhos
http://www.guiadosquadrinhos.com
http://www.guiadosquadrinhos.com/capas/era-de-ouro-a/a%2005801 em 26/03/2015.
http://www.guiadosquadrinhos.com/edicao/supremos-os-edicao-definitiva-%28capa-dura%29-%282-edicao%29/su011202/98807 em 28/03/2015.

Legião dos Heróis
http://legiaodosherois.virgula.uol.com.br/2013/conheca-watchmen-quem-vigia-os-vigilantes.html também foi consultado em 23/03/2015.

Nerdologia
https://www.youtube.com/watch?v=9QjcRbXKr1U em 27/11/2016.

QuadrimCast
http://www.quadrimcast.com.br
http://www.quadrimcast.com.br/2012/11/28/405/.
http://www.quadrimcast.com.br/2013/01/09/quadrimcast-38-reino-do-amanha/.
http://www.quadrimcast.com.br/2014/01/29/quadrimcast-63-crise-de-identidade/.
http://www.quadrimcast.com.br/2014/09/18/quadrimcast-75-planetary-parte-1/.
http://www.quadrimcast.com.br/2014/10/08/quadrimcast-76-planetary-parte-2/.
http://www.quadrimcast.com.br/2015/03/04/quadrimcast-84-reboots/ em 04/03/2015.

Wikipedia
https://www.wikipedia.org/ consultada em 22/03/2015.

Rodrigo Rosas Campos

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