[RESENHA#57] A Guerra dos Mundos: a Avó de Todas as Guerras Travadas Nas Estrelas da Cultura Pop

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Herbert George Wells, ou H. G.Wells, ficou célebre por seus livros de ficção científica. São dele A Máquina do Tempo e os flertes com o terror como A Ilha do Doutor Monroe e O Homem Invisível. Dentre suas obras menos populares estão As Sete Faces do Dr. Lao, que apesar de ter virado filme é pouco relacionado ao autor pelo grande público, e os contos de terror publicados aqui no Brasil, creio que uma única vez, sob o título No País das Fadas. Em A Guerra dos Mundos, Wells mistura ficção científica com terror, como em O Homem Invisível e A Ilha do Doutor Monroe.

            O leitor deve descontar o conhecimento de Marte disponível na época em que o livro foi escrito, ele foi publicado em 1898. As reflexões lançadas por Wells neste volume, norteiam a ficção científica até hoje. De povos colonizados e dizimados, até a extinção de animais, o livro fala sobre a invasão da Terra por uma raça superior, que considera os seres humanos inferiores, animais até, e que, por isso mesmo, se vê no direito de nos exterminar e tomar nosso planeta e seus recursos. Essa semelhança não é coincidência, o narrador da história deixa essas comparações bem explícitas. A recepção pacífica e amistosa dos terráqueos aos invasores lembra a recepção que os maias e os astecas deram aos espanhóis nas Américas. O leitor não tem nem o que pensar, isso me incomodou um pouco.

            Usar o narrador como um elemento de reflexão explícito, que explica o que o autor deseja mostrar com a metáfora, deixou o ritmo de leitura lento. Em seus outros livros, Wells apresenta a situação fantástica e deixa que os leitores correlacionem a mensagem com aquilo que conhecem ou que ainda vão conhecer, por isso, de todos os livros de Wells que li, este foi o que menos me agradou. Mas apesar da lentidão no ritmo da história, os capítulos são curtos. E a trama ganha força da metade em diante, na medida em que o narrador descreve o que sabe dos seus parentes e amigos distantes. Fora que é um Wells, que só é comparável com um Verne, um Doyle ou com ele mesmo.

            O livro é de 1898 e já foi espoilado pela vida em várias adaptações cinematográficas recontextualizadas para as épocas em que foram produzidas e filmadas. Mas se você, leitor, ainda não sabe como os marcianos foram vencidos, mais um motivo para ler o livro antes de ver qualquer um destes filmes.

            As influências desse livro na cultura pop são evidentes em filmes de ação como Guerra nas Estrelas e em quadrinhos como Flash Gordon, embora, nesses casos, banalizadas pelo maniqueísmo e pela necessidade de dar lucros com produtos licenciados. Todavia, também influenciou muito um certo H. P. Lovecraft e seus seguidores. Por tabela, a influência de Wells sobre Lovecraft foi crucial para a influência de Lovecraft sobre Alien, o Oitavo Passageiro e companhia.

            Em resumo, embora não seja um dos melhores livros de Wells, na minha humilde opinião, ainda é um marco que determinou a ficção científica e a cultura pop como as conhecemos hoje. Ou seja, é uma leitura fundamental; e ser leitura fundamental não significa que somos obrigados a gostar, significa que é bom experimentar para ampliarmos o nosso modo de ver e sentir o mundo ao nosso redor.

            A edição lida por este que vos escreve foi a da editora Alfaguara de 2007. Poderia ter sido mais barata se não tivesse páginas a mais para uma introdução desnecessária. Afinal H. G. Wells dispensa apresentações.

            Boas leituras!

            Rodrigo Rosas Campos

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