[RESENHA#51]Jornada nas Estrelas – Cidade à Beira da Eternidade – O Roteiro Original de Harlan Ellison

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jecaeFinalmente no Brasil, a adaptação do roteiro original de Cidade à Beira da Eternidade para os quadrinhos.

“Como assim?! Eu vi esse episódio, o roteiro filmado não era original?”

Não. Mas vamos contextualizar. Harlan Ellison escreveu um dos melhores roteiros para a série de TV original de Jornada nas Estrelas. Mas o brilhantismo do autor, que escrevia contos e livros de ficção científica na época, como todos os outros roteiristas de Jornada nas Estrelas, esbarrou em restrições orçamentárias. Nem tudo o que ele escreveu poderia ser filmado com o orçamento apertado.

Gene Roddenberry, produtor e criador da série, pediu que ele mudasse o roteiro. Ellison recusou-se. Junto com outros roteiristas, Roddemberry quebrou a cabeça para adequar as ideias de Ellison ao orçamento disponível. Mesmo com as mudanças, a Cidade à Beira da Eternidade é o episódio favorito de muitos fãs.

Mas Ellison não aceitou as mudanças. Submeteu o roteiro original a vários concursos, ganhando vários prêmios e, com isso, consolidando a fama do roteiro original não filmado. É claro que os fãs de Jornada descobriram esta e muitas outras histórias e tretas de bastidores; e muito dessas histórias é narrado em maiores detalhes no livro de William Shatner, Jornada nas Estrelas: Memórias, já publicado no Brasil pela Editora Nova Fronteira, muito divertido, por sinal.

Voltando e resumindo: Ellison brigou com os produtores na época e o roteiro seguia relativamente inédito e ganhando fama.

Nesse meio tempo, a série original só foi sucesso nas reprises nos EUA e na exibição em outros países, incluindo o Brasil. Houve o licenciamento de Jornada nas Estrelas para todos os tipos de produtos derivados, incluindo quadrinhos. Falando especificamente de quadrinhos, várias editoras publicaram material de Jornada nas Estrelas, mas, na maior parte do tempo, a marca oscilou entre as duas “grandes”; o eixo DC/Marvel.

Pois não é que ninguém do eixo, das duas “grandes”, teve a ideia de adaptar o roteiro original de Cidade à Beira da Eternidade. Quadrinhos não padecem de restrições orçamentárias e os fãs sabiam do roteiro não filmado. Falta de visão é fogo! De editora em editora, oscilando mais entre DC e Marvel, Jornada nas Estrelas finalmente entrou na órbita da IDW, uma editora independente que se especializou em licenciamentos de séries e desenhos animados de TV. E, nesse ponto, que fiquem registrados os parabéns para os editores da IDW: Chris Ryall, Justin Eisinger e Alonzo Simon!

Eis que a adaptação surge. Originalmente como minissérie em 5 edições nos EUA. A edição nacional da Mythos já é a encadernada de luxo e completa. Mas vamos a equipe criativa:

Roteiro original para a TV: Harlan Ellison
Adaptação (texto): Scott Tipton & David Tipton
Arte: J. K. Woodward
Artes das Capas: Juan Ortiz
Artes das Capas alternativas: Paul Shipper
Arte da Capa do encadernado no Brasil: Paul Shipper
Arte da Contracapa do encadernado no Brasil: Juan Ortiz
Editor original: Chris Ryall
Edição da coleção: Justin Eisinger & Alonzo Simon

Leitores contextualizados, vamos a resenha propriamente dita:

A Enterprise entra em órbita de um planeta que deixa seus cronômetros em reverso. Nesse meio tempo, um oficial que trafica drogas na nave é descoberto e foge para este planeta. Kirk, Spock e uma equipe de apoio correm para o teleporte para capturar o renegado.

Eles são deixados num deserto de areia vermelha e seguem as pegadas do fugitivo até uma estranha cidade, a cidade à beira da eternidade do título. Lá eles conhecem os guardiões do tempo e dialogam com eles sem saber que Beckwith, o fugitivo, está a espreita. Nessa conversa eles descobrem que aquele planeta está no centro do tempo, reunindo o passado, presente e o futuro de todos os planetas do universo.

Quado os guardiões abrem um portal para a Terra, nos EUA dos anos 1930, Beckwith vê ali a chance da comercializar a droga do futuro no passado, ficando rico no processo, e volta no tempo. Imediatamente, o tempo e o universo mudam. Quando a tripulação volta para a nave, descobre que ela foi tomada por piratas espaciais e que, agora, é denominada Condor. Kirk e Spock conseguem escapar, retornam ao planeta e voltam no tempo em busca de Beckwith para evitar que ele altere a história.

Mas, ironia das ironias, Beckwith teria impedido que uma mulher morresse, e com a sobrevivência dessa mulher a história da Terra e do universo foram alteradas. Kirk e Spock voltam antes da chegada de Beckwith ao passado e conhecem essa mulher, por quem Kirk se apaixona. Agora o capitão tem uma escolha, salvar o futuro ou a mulher que ele ama num mundo onde ele nem mesmo nasceu ainda.

Para fãs de Jornada nas Estrelas é imperdível.

Para os que viram esse episódio, os extras no final da edição detalham as diferenças entre os roteiros original e final. E esses extras estão no final por um bom motivo, lembrem-se disso.

Para leitores de ficção científica é uma excelente história de viagem no tempo.

Para os que gostam de quadrinhos, é uma obra da melhor qualidade. A arte é toda feita com pinturas, toda a mão. Um acabamento digno do texto não filmado de Ellison, que é brilhante.

Para os leitores casuais de quadrinhos, uma história fechada da melhor qualidade.

O ponto negativo dessa edição é o preço Mythos e a falta de opção. A editora poderia ter lançado no formato original de minissérie? Poderia. Poderia ter uma edição com capa brochura mais barata? Poderia. Mas a editora Mythos só pensa nos colecionadores, não nos leitores de verdade. Depois fica o mimimi de que o público de hoje prefere mangá a qualquer outra coisa. Claro! São os nossos editores que elitizam os comics e demais tipos de quadrinhos. O mangá é, hoje, a alternativa mais barata aos novos leitores. E eu realmente torço para que o formato digital ajude os leitores a se sentirem motivados a experimentar coisas novas.

Vale a pena pagar o preço salgado? Vale. Como já disse, e não me cansarei de repetir, pare de comprar a mesmice dos quadrinhos mensais e guarde seu rico dinheirinho para o que realmente vale!

Agora é torcer para que Jornada nas Estrelas – Cidade à Beira da Eternidade – o Roteiro Original de Harlan Ellison seja finalmente filmado ou para o cinema ou para a TV.

Boas leituras, vida longa e próspera!

Rodrigo Rosas Campos.

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