[RESENHA#43] Ratos, de Gordon Reece

Postado em Atualizado em

3ratos_1314452316pTítulo: Ratos

Autor: Gordon Reece
ISBN: 9788580570700
Ano: 2011
Páginas:
240 
Editora:
Intrínseca
Informações:
Skoob / Goodreads

Compre aqui: Cultura / Amazon Saraiva

Sinopse: Shelley e a mãe foram maltratadas a vida inteira. Elas têm consciência disso, mas não sabem reagir — são como ratos, estão sempre entocadas e coagidas. Shelley, vítima de um longo período de bullying que culminou em um violento atentado, não frequenta a escola. Esteve perto da morte, e as cicatrizes em seu rosto a lembram disso. Ainda se refazendo do ataque e se recuperando do humilhante divórcio dos pais, ela e a mãe vivem refugiadas em um chalé afastado da cidade. Confiantes de que o pesadelo acabou elas enfim se sentem confortáveis, entre livros, instrumentos musicais e canecas de chocolate quente junto à lareira. Mas, na noite em que Shelley completa dezesseis anos, um estranho invade a tranquilidade das duas e um sentimento é despertado na menina. Os acontecimentos que se seguem instauram o caos em tudo o que pensam e sentem em relação a elas mesmas e ao mundo que sempre as castigou. Até mesmo os ratos têm um limite.


Esse livro é mais um da leva “Tá barato? A sinopse parece interessante? Compra!”, e foi o que fiz. Comprei e deixei lá… Na longa fila de – lerei algum dia. Esse dia chegou e hoje venho falar um pouco a vocês sobre esse thriller.

Como informa a sinopse, Shelley e a mãe são maltratadas no decorrer da vida. Hoje ela está às vésperas de seus 16 anos e tentando seguir uma nova vida, mas nem sempre tudo foi assim. Shelley teve uma mãe que durante a juventude era uma das melhores advogadas do escritório ao qual trabalhava. Seus pais se amavam e sua infância foi feliz. Tinha amigas, melhores amigas, que se conheciam desde o primeiro grau.

Contudo, com o passar do tempo, seu pai torna-se agressivo e mesquinho. Separa-se de sua mãe por uma jovem dez anos mais velha que Shelley e as deixam às migalhas. Suas melhores amigas crescem e se tornam pessoas diferentes e hostis com ela, à vida se torna um horror constante.

“Além disso, contar à minha mãe ou à escola significaria confrontar minhas perseguidoras, e eu era completamente incapaz disso. Simplesmente não tinha essa força. Não tinha essa personalidade. Eu era um rato, não esqueça. Parecia-me mais natural não dizer nada, sofrer em silencio, manter-me quieta e esperar não ser vista, e esgueirar-me pelos cantos à procura de um lugar seguro onde pudesse me esconder.”

As duas são ratos. Se escondem, se submetem e sobrevivem. A mãe de Shelley acaba se sujeitando a um emprego bem inferior a seu conhecimento, que depois de anos sem trabalho se dedicando a filha, torna-se defasado. Shelley, vendo o momento difícil pelo qual a mãe passa, engole calada todos os ataques de bullying que sofre na escola por suas ex melhores amigas, até o momento que sofre um atentado a sua vida. O pior dos bullying, e sua mãe descobre tudo.

Shelley finalmente consegue deixar a escola e terminar os estudos através de tutores em casa. Se mudam para uma casa longe de tudo e de todos. Um esconderijo para que os ratos possam sobreviver em paz.

“Não foi fácil encontrar uma casa que satisfizesse todas as nossas exigências: no campo, sem vizinhos, três quartos, jardins na frente e atrás. Uma propriedade que fosse antiga (ela precisava ter “personalidade”), mas que ao mesmo tempo tivesse todas as comodidades – um sistema moderno de aquecimento central era essencial, pois detestávamos sentir frio. Deveria ser silenciosa. Deveria oferecer privacidade. Afinal, éramos ratos. Não procurávamos um lar. Procurávamos um lugar onde pudéssemos nos esconder.”

Tudo está caminhando perfeitamente bem, livre de problemas. Elas dividem rotinas agradáveis e confortáveis. Longos passeios ao por do sol, praticam música juntas, brincam na varanda, cultivam flores, os estudos estão indo de vento em polpa, até sua ultima noite com quinze anos. Até aquela madrugada ao qual sua casa foi invadida por um assaltante, até alguém surgir e perturbar o sentimento de felicidade e segurança que elas tinham. 

Tudo na vida tem um limite, e nesse momento, Shelley decide que até mesmo os ratos tem limites, e a partir desse momento, suas vidas mudam para sempre.

Me surpreendi muito com este livro. Na verdade eu nem me lembrava que se tratava de bullying…

“Em determinados momentos daquelas férias esqueci-me completamente de Teresa, Emma e Jane, de seus golpes e insultos e das dores após seus chutes; nesses momentos, também me esqueci do pai que me abandonou quando eu ainda precisaria tanto dele. Enquanto minha mãe e eu nadávamos em um dos lagos gelados, rindo, gritando e tossindo por causa do frio, ou enquanto eu a seguia pelas trilhas das montanhas, onde vacas amedrontadas se levantavam lentamente quando nos aproximávamos, eu esquecia os detalhes dolorosos de minha vida e era feliz.”

O livro é meio impactante no inicio, a crueldade ao qual Shelley é submetida por suas ex amigas faz você pensar: Por que ser tão cruel a troco de nada?! Qual é a diversão em agredir outra pessoa? Por que as crianças e adolescente são tão cruéis uns com os outros? Por que hoje em dia isso é tido como normal, principalmente na terra do Tio Sam? Isso não é normal! Isso é muito errado!

Você vê o sofrimento dela e de sua mãe por serem ratas… Mas por que ratas? Porque elas são submissas, elas não conseguem se impor, elas correm, fogem, se escondem. E por isso são massacradas, abusadas, agredidas… Por serem ratas.

O início como citei, é bem intenso. Você sente pena, revolta, você quer ajudar, você quer parar com essa impunidade, quer tirar as vendas dessa justiça inexistente. Mas depois, com o decorrer da trama você se perde. Você começa a rever os conceitos do personagem. Vê seus atos e pensa: Será que essa reação realmente justifica a ação? Isso é realmente o melhor a se fazer? O melhor meio de agir? Mas aí você para e pensa… Porra! É ficção! É um Thriller! Não é a vida real, então foda-se!! Tá certo mesmo! Huahuauha!

“Porém, apesar de ficar à mesa por mais de meia hora, as palavras simplesmente não surgiam. Eu ainda não era capaz de contar a ela sobre o bullying, nem mesmo emk um bilhete que ela só leria quando eu estivesse morta. Não conseguia entender realmente por que não era capaz de me abrir com ela. Tudo em que pensava era que não importa o quanto somos próximos de alguém, sempre existirão limites – fronteira que simplesmente não somos capazes de atravessar, questões que nos tocam tão profundamente que não podem ser compartilhadas. Talvez, pensei, aquilo que não conseguimos compartilhar com os outros seja o que realmente define quem somos.”

Esse livro é uma ficção. As escolhas nem sempre são as certas, até porque, venhamos e convenhamos, não somo seres puros. Algumas pessoas podem até chegar a achar forte. Umas podem achar que elas fizeram o certo. Outros acharam que foi errado. Eu, honestamente, estou em cima do muro. Só posso afirmar que gostei muito. Agora você? O que será que acharia da história? Qual seria sua opinião sobre o final?

Essa resposta, somente lendo para descobrir! 😀

O final, você decide!!! (Foi mal gente, não resisti…kkkkkkkkk)

ana-souza-neo-000

*Resenha de minha autoria, publicado anteriormente no blog http://www.viciadosemleitura.blog.br/

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15 comentários em “[RESENHA#43] Ratos, de Gordon Reece

    Michele Lopez disse:
    20 de janeiro de 2017 às 10:25

    Olá,
    Já tinha ouvido falar do livro, mas é a primeira resenha que leio sobre.
    A premissa é bem interessante e fiquei intrigada para saber o que acontece com Shelley e os maus tratos que recebe. Fico me perguntando porque será que mãe e filha agem como ratas ao invés de se imporem?!
    Seus questionamentos são válidos e também me pergunto como alguém pode ser cruel a troco de nada?!

    http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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    Danielle Rodrigues Casquet de Melo disse:
    20 de janeiro de 2017 às 12:02

    Desconhecia totalmente esse livro, mas achei a história bem intensa, e claro quero saber por que elas sofrem tanto na vida. É um livro que com certeza vai me prender. Adorei a resenha. Bjkas

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    Helana Ohara (@helana_ohara) disse:
    20 de janeiro de 2017 às 13:59

    Oi, não conhecia o livro, uma história e chocante, Shelley tem uma vida dura, sua mãe tem uma vida dura.
    Um livro que prende o leitor, com certeza.

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    Aline Furtado disse:
    20 de janeiro de 2017 às 15:14

    Olá!
    Assim como você também comprei porque estava barato e parecia interessante. Já faz algum tempo que está na minha estante, mas ainda não o li.
    Lendo sua resenha, percebo que, com certeza, será uma leitura intensa e impactante pelos temos tratados na obra. Confesso que estou bastante curiosa para conhecer a história e saber como termina a história de Shelley e sua mãe.
    Beijos.

    Li
    Literalizando Sonhos

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    minhassimpressoes.blogspot.com.br disse:
    21 de janeiro de 2017 às 18:51

    Oi Ana.
    Nossa, fiquei bem curiosa em relação a esse livro.
    Cada vez mais a literatura tem mostrado como as pessoas podem ser cruéis, principalmente na época da adolescência e os problemas causados no psicológico de quem sofre com isso ás vezes é irreversível.
    Abraços.

    Minhas Impressões

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    Ana Paula Lima Miranda disse:
    21 de janeiro de 2017 às 21:44

    Oiii!!!

    Eu sofro dessa sindrome do tá barato e sempre fica parado na estante, é um problema para mim… maaaas eu já vi resenha sobre esse livro e todo mundo elogia a obra e o enredo deixa todo mundo desse jeito. Fiquei muito mais curiosa agora com sua resenha!

    Beijinhos!

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    Juliana Xavier disse:
    22 de janeiro de 2017 às 06:46

    Putz, que dó da garota, sofrer bullying já é terrível, passei por isso numa época em que não existia essa definição e ninguém fazia nada. Agora sofrer bullying das ex-amigas deve ser infinitamente pior, e chegar ao ponto de correr risco de vida, tenho até medo de saber mais sobre a história. De qualquer jeito, não pretendo ler, o tema já me cansou um pouco.

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    Kamila Villarreal disse:
    22 de janeiro de 2017 às 15:08

    Olá!

    Há muito tempo que não ouvia falar desse livro! lembro que o procurei por muito tempo pra comprar mas nunca achei. A respeito da obra, é pra se pensar. Mas que dá dó das duas, isso dá, livros assim me partem o coração.

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    Aline Coelho Cury disse:
    22 de janeiro de 2017 às 15:18

    Já tinha visto esse livro um tempo atrás na blogsfera, mas poucas foram as resenhas que conferi. Gostei de saber que ele usa a metáfora dos ratos para pessoas submissas e que existe esse alerta sobre bullying. Valeu pela sugestão de leitura e parabéns pelo achado.
    Beijos

    Leituras, vida e paixões!!!

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    Andressa Ledesma (@apenas_um_vicio) disse:
    22 de janeiro de 2017 às 16:44

    Eu estou na mesma situação com esse livro,e vários outros, comprei porque tava muiito barato e curti a sinopse, mas está parado na estante há muito tempo. Vou criar vergonha na cara e ler, hahaha.
    Gostei de saber um pouco mais da premissa, acho que mesmo sendo ficção, e imaginando que o final seja algo um pouco “violento”, não concordaria. Claro que pelo é mostrado há motivações, mas acho que nada justifica uma consequência tão grande, imaginando que seja um final realmente cruel. Vamos ver…
    beijos
    http://www.apenasumvicio.com

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    Our Brave New Blog disse:
    23 de janeiro de 2017 às 12:56

    Eu tinha visto esse livro uma vez e me interessado pela sinopse, mas acabei esquecendo. Acho a temática interessante, mas agora não sei se leria… Acho que eu passaria muita raiva lendo, vendo toda essa injustiça fazendo as duas recuarem, acho que não estou preparada hahaha.

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    Pamela Moreno Santiago disse:
    23 de janeiro de 2017 às 14:20

    Olá Ana, tudo bem?

    Eu sempre vi esse livro nas promoções do submarino, mas eu acabo sempre me decepcionando com livros que abordam esses temas considerados “polêmicos”. Ainda acho que não estou no momento, mas vou deixar o nome aqui anotado na minha agenda.

    Beijos

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    Nati Rabelo disse:
    23 de janeiro de 2017 às 18:48

    Oi!
    Sua resenha chamou minha atenção e despertou minha curiosidade, mas isso do autor associar as personagens me incomodou bastante. Isso me deu até uma desmotivada. Mas quem sabe mais pra frente eu leia.
    Beijo

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    kênia Cândido disse:
    24 de janeiro de 2017 às 06:42

    Oi Ana.

    Eu já tinha lido alguns comentários sobre este livro e a maioria fala que o livro é impactante e cada resenha nova que eu leio dele, eu fico cada vez mais curiosa. Parece que as duas personagens passaram por muita dificuldade, além de serem maltratadas e ainda precisam lidar com bullying. Temas fortes, realmente preciso ler esse livro logo.

    Bjos
    http://historiasexistemparaseremcontadas.blogspot.com.br/

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    Gleydson disse:
    27 de janeiro de 2017 às 09:49

    Olá, tudo bem por aí?

    É uma pena que o livro começa eletrizante e depois vai se perdendo 😦 Mas o tema é bem interessante e já vi algumas pessoas dizendo que é realmente muito bom, então, quem sabe dou uma chance a ele algum dia. Sua resenha ficou ótima, parabéns!

    Abraços.
    http://www.acampamentodaleitura.com

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