[RESENHA#38]Área Cinzenta: Controle de Imigração Alienígena

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Desaconselhável para menores de 18 anos.

Área Cinzenta é uma série de histórias publicada originalmente na revista britânica 2000 AD. No Brasil, teve seu início publicado na revista Juiz Dredd Megazine. Agora, a Mythos relança o que já publicou junto com a parte que ficou inédita nesse encadernado.

Criada por Dan Abnett (texto) e Karl Richardson (arte), a série narra a história de uma Terra que teve seu primeiro contato com alienígenas de forma desastrosa. Acontece que, para garantir que os terrestres os entenderiam, os alienígenas espalharam um vírus na atmosfera terrestre. O vírus matou muitas pessoas, mas garantiu aos sobreviventes infectados a capacidade de entender e falar qualquer idioma do universo e de transmitir esse poder aos descendentes. Este dia ficou marcado como o dia da saudação e os infectados e seus descendentes passaram a ser conhecidos como os saudados.

Devido ao caos que foi a saudação, os governos se uniram e construíram uma rede de satélites em torno da Terra, para evitar que naves hostis ou não autorizadas invadissem nosso espaço e nosso planeta. Também foi construída uma área de quarentena para garantir que os visitantes de outros planetas não oferecessem perigo à população: a Zona Global de Exossegregação, no Arizona, EUA. Esse lugar é mais conhecido como a Área Cinzenta.

Na Área Cinzenta, estão os oficiais da Exotransferência Controlada, ETC. Eles tem a função de avaliar os alienígenas pelo tempo que for necessário a cada espécie e liberá-los ou não para a visita à Terra, dependendo do risco que cada espécie pode representar a nós. Nesse espaço de tempo, os alienígenas ocupam alojamentos na Área Cinzenta.

Os agentes da ETC também funcionam como policiais. Impedem a fuga dos não autorizados, bem como os conflitos e crimes cometidos dentro da área. A história começa em primeiro de janeiro de 2045, primeiro dia da oficial Bird na ETC e na Área Cinzenta.

Ok, isso lembra o filme Distrito 9. Mas as outras diferenças, além das que já foram mencionadas, são: os saudados são segregados pelos seres humanos normais e acabam empurrados para cargos de tradutores na ETC; os alienígenas são de várias espécies e oriundos de vários planetas; movimentos humanos exofóbicos pipocam no mundo inteiro, fazendo a ETC ter que atuar fora da área para garantir a segurança dos visitantes que estão em acordo com nossas leis.

As metáforas ao racismo, segregação e xenofobia de nossa realidade são obvias, mas o texto é brilhante. Dan Abnett é um gênio na escrita. Os desenhistas mudaram ao longo da publicação original.

Karl Richardson foi o primeiro, cocriador da série.

Lee Carter, bom, técnico, mas sem estilo próprio.

Patrick Goddart, o melhor. Chega a lembrar George Perez de tão bom.

O último tenta imitar o criador de Hellboy, e é só o texto de Abnett que salva as últimas páginas do encadernado.

A editora que lançou foi a Mythos. Novamente: o preço Mythos é salgado, eu sei, mas é como já falei; pare de comprar o lixo mensal e foque nos autores que fazem valer cada centavo. Embora a Mythos pudesse ajudar fazendo uma versão econômica de cada encadernado. Esse negócio de só colocar edições de luxo afasta novos leitores. Puxão de orelha na Mythos mesmo! Afinal, leitores de verdade compram e experimentam mais do que colecionadores esnobes, bastando que os preços das edições caibam em seus bolsos.

Boas leituras!

Rodrigo Rosas Campos

 

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