[RESENHA#28]A Literatura Filosófica de Clarice Lispector Em Onde Estivestes De Noite

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Epifania é a revelação de um grande sentido através de um acontecimento banal e simples. É se dar conta de que tudo, por menor que seja, tem uma grandiosa função na totalidade das coisas. Nenhuma escritora (ou escritor) foi tão feliz em mostrar isso quanto Clarice Lispector. Onde Estivestes de Noite é seu livro mais filosófico e mais recheado dessas revelações.


Com apenas 96 páginas, ele apresenta 17 contos curtos e brilhantes. Só para citar os mais emblemáticos, Onde Estivestes de Noite, que dá título ao livro, trata de para onde os adormecidos vão, será que não há no dormir um ponto de encontro? Quem aguarda por nós ali em todas as noites?

Silêncio trata da falsa distinção que costumamos fazer das coisas, de como coisas complementares como luz e escuridão, silêncio e som são tratadas erroneamente como antônimos completos, quando na verdade são coisas que se complementam. Se tudo fosse som, estaríamos tão surdos que nada ouviríamos.

Para o leitor que conhece Clarice há aqueles velhos textos repetidos com títulos diferentes.

Para os que não conhecem, um jeito simples de ver um filosofar verdadeiro e sem firulas pseudointelectuais em histórias que acontecem com qualquer um de nós: “Eu te abandono então. E abandono o grupo falsamente intelectual que exige de mim um vão e nervoso exercício contínuo de inteligência falsa e apressada.” (Lispector, p.29, 1974).

É uma escritora e pensadora no auge da descoberta de que nada é mais avançado que um básico bem executado.

Então você, que adora atribuir frases idiotas a esta grande escritora e divulgá-las nas redes sociais, leia esse livro e pare com isso. Clarisse Lispector não merece esse desrespeito.

Quer citar Clarice, cite o livro, a página e o ano da primeira publicação. Respeite aquela que foi a melhor de todos nós, os que escrevemos em língua portuguesa.

Edição usada nessa resenha: Onde Estivestes De Noite de Clarice Lispector, editora Rocco, 1999, 96 páginas.

Boa leitura!

Rodrigo Rosas Campos.

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