[RESENHA#26]A Hora do Lixo: Quando Clarice Lispector Escreveu Histórias Sujas em A Via Crucis do Corpo

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“Uma pessoa leu meus contos e disse que aquilo não era literatura, era lixo. Concordo. Mas há hora para tudo. Há também a hora do lixo. Este livro é um pouco triste porque eu descobri, como criança boba, que este é um mundo-cão.”  

                                                                                                       (Lispector, p.12, 1974).

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Difícil falar de um livro pequeno com 13 contos menores ainda. Hoje, todos querem ter surpresas, mesmo quando a história não é sobre descobrir o culpado do crime. Bom, em nenhuma das 13 histórias de A Via Crucis do Corpo, o leitor é convidado a descobrir o culpado. Isso porquê os personagens, eventualmente culpados, eventualmente inocentes ou um pouco de ambos, fazem tudo na cara do leitor.

Clarice Lispector destacou-se por ser a melhor porta vós da vida cotidiana serena, dando brilho a coisas corriqueiras que deixamos de observar. Mas em A Via Crucis do Corpo, ela fala de paixões arrebatadoras e eventuais crimes passionais. Por isso, considero este o melhor de todos os livros de Clarice Lispector. Ela brinca de Nélson Rodrigues, ele nunca conseguiria brincar de Clarice.

Publicado originalmente em 1974 (a edição comentada aqui é da Rocco de 1998), os destaques do livro são:

  • Miss Algrave, sobre uma datilógrafa inglesa abduzida por um alienígena.
  • Ele Me Bebeu, conto 100% erótico e instigante.
  • A Língua do P, que é sobre violência sexual.

O Corpo é uma das mais contundentes histórias de crime passional já escritas. O melhor conto de todo o livro. Virou filme de mesmo título em 1996 com Marieta Severo, Antonio Fagundes, Claudia Gimenez e Carla Camurati.

Sobre os demais nove contos do livro, deixo-os para que vocês, leitores, descubram sozinhos.

A Via Crucis do Corpo é o melhor livro de Clarice Lispector, pois é o livro aonde a autora ousa quebrar as próprias regras saindo de sua zona de conforto com a maestria que lhe era inerente.

Desaconselhável para menores de 18 anos.

Boas Leituras!

 

Rodrigo Rosas Campos.

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