[Review]Projeto Superpowers: Um Filho de Watchmen com Super-heróis de Domínio Público

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          projetoSuperpowers
Ok! Sei que já falei de Projeto Superpowers no ensaio Multiverso Domínio Público que foi publicado no blog do Juvenal, o Velho Hippie, e republicado aqui, no Literakaos!. Mas acho que chegou a hora desta review/resenha mais específica, sem contar que ainda o mencionarei num ensaio futuro

Afinal, quero defender Alex Ross, mostrando que o trabalho menos cultuado dele ainda é bom o bastante para não ser apedrejado ou ignorado como muitos o fazem.

Projeto Superpowers é uma série de minisséries que foi e é publicada nos EUA pela editora Dynamite.
    A Devir trouxe apenas a primeira minissérie direto para o formado encadernado e é esta edição que será resenhada e revista aqui.

A Dynamite, editora independente dos EUA, queria um universo para chamar de seu (e de quebra um genérico de Watchmen também, sejamos honestos). Muitos de seus títulos são de propriedade dos próprios autores ou vindos de licenciamentos. Assim sendo, a editora chama o já consagrado Alex Ross para criar o que ele desejasse usando super-heróis que caíram em domínio público e fundar um universo para a editora no esquema “work for hire”. Ross topou o desafio.

No mundo de Projeto Superpowers, os super-heróis ajudaram a vencer a segunda grande guerra, logo depois, despareceram e foram esquecidos. Mas o que aconteceu de fato é o que ficamos sabendo nas páginas da série.

Acreditando que poderia salvar a humanidade de todo o Mal do mundo, o Combatente Yank trai e aprisiona quase todos seus aliados na urna mística conhecida como a Caixa de Pandora. Mas o Mal só poderia ser contido definitivamente, se a esperança também estivesse confinada, e os super-heróis fantasiados representam a esperança encarnada. O próprio Combatente Yank é recusado pela urna, pois, segundo essa crença, deixara de fazer parte da esperança quando viu o Mal com seus próprios olhos.

Mas o Lama Verde se refugia em Shangri-La antes de ser capturado pelo Combatente e, por alguma razão, somente o Dinâmico e sua família não são aceitos pela urna.

Mal sabia o ingênuo Combatente Yank e seu mentor fantasma, que tudo não passava de uma grande armadilha. Com os super-heróis aprisionados na urna de Pandora e os supervilões livres do lado de fora, o mundo é dominado por uma grande conspiração.

Quando o Combatente Yank já se encontra em idade avançada, um indignado Espírito Americano o convoca para destruir a Caixa de Pandora e libertar os heróis aprisionados para restaurar a liberdade ao mundo. Nesse momento vemos a rivalidade entre o Espirito Americano e o fantasma mentor do Combatente Yank, que só será explicada no decorrer da trama.

O Combatente Yank precisa da ajuda do Lama Verde para começar a executar seus planos de resgate. O Dinâmico é desmascarado como um robô a serviço da organização invisível que domina o mundo. A urna é quebrada pelo Yank, mas os heróis voltam em lugares aleatórios do mundo e modificados pelas décadas de aprisionamento na urna. Agora, um debilitado Combatente Yank, o Lama Verde e o Terror Negro precisam percorrer o mundo em busca de seus antigos aliados.

A história é boa, não é original no sentido de nova, mas prova que não existem personagens menores e sim escritores menores ou inapropriados. Há muita referencia a autocensura dos quadrinhos estadunidenses, o Comic Code Authority, pois em alguns ângulos a caixa de pandora remete ao selo do código. Alex Ross desenvolveu a história com a ajuda do roteirista Jim Krueger.

Apesar do plot de “heróis retornarem num mundo aonde está tudo errado e tudo terá que ser consertado”, padrão sombrio e realista, já estar desgastado em 2008 (lançamento original), a trama é boa. Mas a esta altura o público já esperava mais de Alex Ross e Jim Krueger.

Mas o que fez de Projeto Superpowers um alvo de crítica e público foi o fato de que, Ross teve a pior equipe possível para cuidar da arte interna. Alex Ross escreveu a história que foi transformada em um roteiro mais elaborado por Jim Krueger, fez toda a direção de arte, concepção visual dos personagens, as capas da série original (e de muitas derivadas), mas os artistas que cuidaram dos quadrinhos internos não tinham talento para emular o estilo de Ross e as colorizações por computador só pioraram a situação.

Há uma cena com ondas em que elas parecem mais esculturas em resina (totalmente estáticas) do que fotos de ondas do mar; o Demônio Desafiador aparece pela primeira vez parecendo um Hulk bicolor e, no quadro seguinte, parece que foi usado um boneco do He-Man original como modelo numa cena em que o personagem está de perfil.

Quem olha as capas do Ross e as concepções visuais dos personagens reconhece que, Ross usou no Demônio Desafiador o mesmo modelo vivo que serviu para o Batman em seus trabalhos para DC. Tudo isso se perde com a equipe de desenhistas que fazem o interior de Projeto Superpowers.

Nem vale a pena escrever os nomes dos ilustradores que “ajudaram” Ross nesse projeto.

Em relação aos encadernados da Dynamite há aquela carência de extras textuais, não culpem a Devir nem os demais editores nacionais. Temos páginas e páginas de desenhos de Ross, mas pouquíssimas informações sobre as histórias pregressas dos personagens, tanto de suas origens e motivações na ficção, quanto da caminhada editorial de seus títulos. Outro ponto negativo para a Dynamite em Projeto Superpowers.

Apesar de todas essas falhas, vale pelas capas de Ross e pela história boa que ele conta. Deve ser fácil encontrar em lojas virtuais e em promoções.

Reconheço que tendemos a esperar mais de Ross, mas Projeto Superpowers vale a pena pelo simples fato de ser melhor que as revistas mensais de super-heróis de hoje. Traz personagens desconhecidos do grande público em situações em que os escritores teveram total liberdade de trabalhar, isso é legal de se ler.

Fora que foi a primeira vez que o Daredevil original da Era de Ouro teve um reconhecimento mundial devido. Embora ele tenha sido rebatizado pela Dynamite para não bater de frente com a Marvel, mas esta e outras informações estão no meu ensaio Multiverso Domínio Público, aqui mesmo no Literakaos!.


Boas leituras.

Por Rodrigo Rosas Campos.

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