[RESENHA#7]O Muro, de Jean-Paul Sartre

Postado em Atualizado em

oMuro
Título: O Muro
Autor: Jean-Paul Satre
ISBN: 9788520932100
Ano: 2012
Páginas: 201
Editora: Saraiva de Bolso
Informações: Skoob / goodreads
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Sinopse: Escrita às vésperas da Segunda Guerra Mundial, as cinco narrativas de ‘O muro’ buscam refletir a perplexidade do homem frente a um mundo em convulsão. Nesse momento, quando as circunstâncias parecem carregar todos ao mais fundo individualismo, Sartre levanta questões que apelam à consciência política e filosófica. O apelo é feito a causas como valores burgueses, preconceitos sexuais e raciais – panos de fundo deste livro escrito por um jovem Sartre e indicado para todos os humanos inconformados com o modo a realidade do mundo é imposta.

Pensei em dar um título maneiro para esse texto, como “Diante de Muros: Uma Resenha do Livro o Muro”, mas diante de um livro tão bom, como é O Muro de Jean-Paul Sartre, enfeites e efeitos especiais são desnecessários. Você, leitor que aceitar o convite que ora faço ao mostrar minha humilde opinião, entenderá o que digo.

O Muro é um livro que reúne cinco contos de Jean-Paul Sartre, filósofo, romancista e dramaturgo, que ao longo de sua vida e carreira ocupou-se do estudo da liberdade e de uma militância efetiva em causas libertárias, principalmente contra o nazismo na Segunda Grande Guerra.

O conto que dá título ao livro, O Muro, nos apresenta um prisioneiro da guerra na iminência de um pelotão de fuzilamento em que o muro do título é usado como paredão. Este prisioneiro tem duas opções, entregar o líder da resistência ou receber as balas que o matarão em nome de sua causa. Diante do dilema e da tortura psicológica deste homem é que a história se passa. O conto não é romanceado ou floreada, fuga não é uma opção, ou ele delata o líder ou ele morre. O dilema sobre até onde vai a liberdade de um indivíduo é abordado da forma mais cruel possível. O melhor de todos estes cinco contos e, de todos os contos deste livro, é o único que se passa em meio a uma guerra.

As demais histórias não deixam de ser tão impactantes quanto a primeira só por se passarem no cotidiano civil. Vamos a elas:

O Quarto retrata a história de uma paciente, ela não tem perspectiva de melhoras, irá morrer. Como o bom escritor que é, Sartre fala sobre eutanásia apenas narrando acontecimentos e deixando que cada leitor tire suas próprias conclusões enquanto lê. A opinião do leitor será formada pelo leitor e o autor, nesse texto, não revela seu partido e ainda nos faz refletir.

Erostrato é sobre um piromaníaco que decide destruir uma construção famosa, tal como o Erostrato de tempos remotos. Será a busca de fama em nossos dias uma loucura perigosa?

Intimidade é uma história cotidiana sobre um casamento de longa data, não deixa de ter sua profundidade, mas é a menos instigante das cinco.

Em A Infância de Um Chefe Sartre mostra a formação de um herdeiro em relação a fortuna e a empresa que herdará. Até que ponto ele se moldou e até que ponto ele se deixou moldar pelo ambiente que o cerca. Será que ele é fruto somente das perspectivas a sua volta ou ele tem algum mérito em sua própria formação? Até onde vai seu próprio mérito? Apesar de não ser o melhor conto do livro, é aqui que vemos um Sartre mais filosófico tratando do tema que o consagrou, a liberdade de escolhas.

Concluindo o livro O Muro traz histórias sobre dilemas e escolhas e a reflexão de até que ponto é possível ter escolhas diante do que a realidade nos impõe. São histórias simples que nos fazem refletir. Ou ainda, são histórias instigantes que nos divertem e nos fazem melhor do que antes sem nos darmos conta, pois nos fazem concordar ou não sem nos darmos conta.

O livro já foi publicado no Brasil em várias editoras, com edições para todos os bolsos. A que serviu de base para esta resenha foi a da Saraiva de Bolso de 2012.

Boas leituras,

 

        Por Rodrigo Rosas Campos.

 

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