[ENSAIO]Astro City: Uma Cidade Grande para Grandes Super-heróis

Postado em Atualizado em

Por : Rodrigo Rosas Campos

13692173_1647661125519759_174800200_oIntrodução

Leitores e leitoras casuais e candidatos(as) a novos leitores(as) de super-heróis, Astro City é a série feita para vocês.

Leitores e leitoras veteranos cansados da mesmice do gênero super-heróis, Astro City é a série feita para vocês.

            Cuidado: eventualmente, algum spoiler pode ser inevitável.

Astro City é a principal cidade do universo autoral de super-heróis de Kurt Busiek, Alex Ross e Brent Anderson. Nesta cidade, criada por Kurt Busiek (texto), Alex Ross (concepção visual e arte das capas) e Brent Anderson (arte), há heróis representantes de todas as tendências e de todas as eras dos quadrinhos.

É uma série de histórias fechadas e minisséries para todos os gostos. Busiek explica que, depois que os super-heróis foram desconstruídos por histórias como Watchmen e Cavaleiro das Trevas, eles precisariam ser remontados. Nesta remontagem, nada ficou de fora, nenhuma peça foi esquecida, nem os heróis ideais, nem os mais problemáticos, nem os anti-heróis etc.; ou seja, há super-heróis e vigilantes para todos os gostos e idades.

Mas vamos começar do início, o que tinha acontecido antes da publicação de Astro City e que levou a criação dessa cidade.

O Que Aconteceu Antes: Na Verdade um Rápido Resumo

Nos anos 1970 e 1980, uma onda de novos talentos invadiu os quadrinhos de super-heróis. Iniciava a venda direta nos EUA e ousadia e experimentação eram palavras-chave. O Monstro do Pântano de Alan Moore era um sucesso e foi um dos principais embriões do selo Vertigo da DC.

Com a Crise nas Infinitas Terras, a DC reformulou toda a linha. Coube a Alan Moore repensar os heróis da antiga Chalton, mas a história era ousada demais, ele e Dave Gibbons tiveram autorização para criar os próprios personagens. Surgia assim, Watchmen, o maior sucesso de super-heróis de todos os tempos. Junto com Cavaleiro das Trevas, o Batman de Frank Miller, e Cartas Selvagens, série de livros de romance mosaico independente capitaneada por George R. R. Martin, iniciou-se o desconstrucionismo dos super-heróis.

Sandman de Neil Gaiman, trouxe um publico mais diverso ao gênero, mais adulto e feminino. Com o tempo, Sandman e outros títulos da editora, mais adultos e sombrios, ganharam um selo a parte, o selo Vertigo. Logo o selo Vertigo começou a publicar obras autorais, hoje maioria. Mas a Vertigo line começou com propriedades da própria DC que buscavam novos públicos: Monstro do Pântano, Hellblazer e Homem-Animal, por exemplo.

13728247_1647660268853178_964056056_oOs Famigerados anos 1990, Quadrinho Videogame

Na passagem dos anos 1980 para os anos 1990, começou a haver um movimento de tentativa de cópia generalizada do sucesso de Watchmen. Como toda ideia copiada a exaustão, os heróis realistas, que eventualmente eram violentos e precisavam matar começaram a se multiplicar e a se banalizar. Tal banalização da violência também aconteceu com e devido ao sucesso de jogos de tiro em primeira pessoa, como Doon e Duke´n Nuken.

Para competir com videogames cada vez mais atraentes e violentos, a indústria dos quadrinhos começou a banalizar o conceito de heróis realistas construído por Moore, Miller, Martin entre outros e tudo ficou repetitivo. Ser legal, cool, era matar e usar grandes armas o tempo todo. Este foi o início da Image, quando a arte começou a falar mais alto, a harmonia entre texto e imagem se perdeu e esses artistas, que deturpavam as ideias dos desconstrucionistas dos anos 1980, saíram das duas grandes para fundar a Image original.

A Image original era uma Marvel em miniatura. A única diferença é que seus criadores e sócios ficaram com todos os direitos de seus personagens, tanto autorais quanto de licenciamento. Muitos bonequinhos, ou melhor, action figures, surgiram nessa época.

Homem-Aranha viveu sua pior fase com a segunda Saga do Clone nos anos 1990, Superman morreu e voltou numa estratégia caça-níquel; Batman ficou aleijado e voltou a andar na deprimente Queda do Morcego; os X-Men repetiam as mesmas histórias batidas com desenhistas cada vez mais toscos que tentavam imitar Jim Lee, e se os editores das duas grandes estavam fazendo isso com seus personagens mais queridos, é melhor nem mencionar o que acontecia com os outros personagens.

Tanto DC quanto Marvel amargavam em vendas, parecia o fim dos quadrinhos de super-heróis em função da mesmice dominante de violência pela violência.

Foi aí que a Marvel topou o projeto de um artista gráfico, desconhecido até então de seu público. Marvels foi lançada nos EUA em 1994. O artista gráfico era Alex Ross, e quem escreveu a história do universo Marvel da perspectiva de Phil Sheldon, um repórter fotógrafo humano comum, foi Kurt Busiek. Estava formada a primeira parceria de Astro City.

Ross queria uma antologia de histórias pintadas dos heróis Marvel em suas fases iniciais, histórias novas ambientadas no passado. Busiek foi escalado para cuidar dos textos. Tom DeFalco sugeriu mostrar a história da Marvel através de um repórter humano comum, em vez de contar novas histórias. Depois de Marvels, Busiek percebeu que a premissa poderia mais do que uma editora como a Marvel jamais permitiria além, ou seja, novas histórias também poderiam ser contadas com essa premissa.

Astro City #01 sai em 1995 nos EUA.

Um leitor apressado já deve estar perguntando: “E o Reino do Amanhã?”. Apesar de ter saído no Brasil antes de Astro City, Reino do Amanhã foi publicado nos EUA em 1996, mais ou menos um ano depois do trabalho autoral dos criadores de Marvels. Guarde essa informação, voltaremos a ela mais tarde.

13730471_1647660472186491_109559050_oA Proposta

Como já dito, os super-heróis foram desconstruídos. Tornaram-se mais humanos e menos ideais e foram banalizados na era videogame dos quadrinhos. A reconstrução dos super-heróis começa com Marvels. Busiek gostou tanto de contar a história da perspectiva de um ser humano comum, que começou a pensar em outras possibilidades.

Fora isso, os super-heróis estavam desconstruídos e a fórmula da violência pela violência levou as editoras a uma crise de imaginação e de vendas. Se a DC e a Marvel estavam amargando vendas, imagina a Image, que, originalmente, representou tudo o que havia de pior nos super-heróis e, na época, também começava a perder público.

Busiek percebeu que muitas boas histórias ainda poderiam ser contadas usando super-heróis, e que era preciso que eles fossem reconstruídos. Tal reconstrução, entretanto, não anularia a revolução provocada nos anos 1980, e deturpada nos 1990. Tudo o que foi feito no gênero até então poderia conviver perfeitamente em um cenário coeso. Para isso o que seria necessário?

Primeiro, novos personagens, que, mesmo remetendo aos mesmos arquétipos representados pelos antigos, não teriam uma carga cronológica forte e nem a obrigação de serem comerciais sempre.

Para se ter uma ideia do quanto os antigos personagens estão aprisionados em seus respectivos passados, há fãs do Batman que simplesmente não aceitam que ele não seja Bruce Wayne, mas esse personagem existe desde 1938. Teria sido muito melhor para o Homem-Aranha se a realidade aonde ele perdesse uma perna e treinasse a filha, a Garota Aranha, fosse a oficial. Ou seja, os personagens das grandes editoras estão impedidos de evoluir e de passar o legado para novas gerações.

“Mas Invencible é assim!”

Não haveria Invencible, que também é uma obra autoral, sem Astro City. Mas continuemos.

Segundo, a liberdade criativa que só um quadrinho autoral e independente poderia ter. Esse é o fator que mais diferença faz.

Terceiro, e também muito importante, um planejamento. Mesmo os mais coadjuvantes não estão lá de graça. Até os personagens que aparecem só para dar apoio possuem uma bagagem, mesmo que não seja necessário revelá-la no texto da história. O mais importante é contar boas histórias, ninguém vai ficar fazendo discurso de como se tornou o que é no meio de uma batalha, ou pensando no passado em flashback correndo o risco de levar um soco, chute ou tiro.

A Image, a essa altura, começou a ficar mal das pernas e, ironia das ironias, Jim Lee publicou as seis primeiras edições de Astro City ainda sob o selo Image, editora que, até então, representava tudo o que havia de pior nos quadrinhos norte-americanos.

Estreia e Editoras

Astro City fez sua estreia em 1995 na editora Image, pouco antes da desfragmentação da sociedade original. Com efeito, ali foi publicado apenas os primeiros números entre 1995 e 1998. A série conquistou prêmios logo nessa época.

Isso aconteceu pois o contrato de Busiek e Ross era com Jim Lee. De 1999 até 2010, além das republicações dos primeiros números em formato encadernado, a série de minisséries e one shots passou a ser publicada pela Wild Storm.

A compra da Wild Storm pela DC não afetou em nada a publicação de Astro City. Com efeito o selo WS, além de publicar edições e séries autorais, assim como o Vertigo, também passou a produzir revistas sob licenciamento. Houve aí, algumas minisséries dos Thunder Cats, por exemplo.

Entre 2010 e 2011, a DC resolveu fazer mais um reboot, incorporando os personagens criados por Jim Lee para a Image original e que passaram para a WS com a ruptura. Com essa incorporação de personagens ao, até então, novo universo DC (sabe-se lá quando você está lendo isso e quantos reboots a DC já fez desde então) o selo WS chega ao fim.

De 2011 até hoje (2016) Astro City é publicada (e republicada) pelo selo Vertigo.

13717957_1647660608853144_1113321339_oA Única Série de Super-heróis de Conteúdo Verdadeiramente Diversificado

Retomando um pouco: Kurt Busiek (texto), Alex Ross (concepção visual e arte das capas) e Brent Anderson (arte) criaram uma cidade na qual todas as variações de super-heróis coexistiriam, cada uma delas representadas por personagens específicos. Assim temos super-heróis representantes do terror, o Enforcado e outros; ficção científica, Primeira Família; ideais, o Samaritano e a Vitória Alada e por aí vai.

Se você quer apresentar o gênero a quem nunca leu super-herói, qualquer encadernado ou especial de Astro City é acessível a qualquer um. Se conhece alguém que curte policial, as histórias do Blindado são excelentes para isso. Quer que uma garotinha se interesse pelo gênero, apresente a Astra, da Primeira Família etc.

O diferencial de Astro City para os tradicionais das duas grandes editoras, DC e Marvel, é que as histórias são escritas na medida em que são pertinentes. O nome da série é Astro City e cada história enfoca um personagem diferente, seja mostrando como o super-humano se sente como tal, seja mostrando a perspetivas dos humanos normais em relação aos super poderosos, heróis e vilões.

Sem a obrigação de fazer quatro revistas mensais do atual Confessor, a equipe de Astro City faz somente boas histórias do segundo Confessor, aonde ele faz real diferença, aonde ele é pertinente e na exata medida de sua pertinência.

Aí eu pergunto: quantas histórias realmente boas do Batman você conhece e leu? Quantas histórias do Batman simplesmente tentam repetir as poucas realmente boas que ele têm? Quantas histórias do Batman vão de ruins a péssimas e quantas outras foram feitas só para vender novos brinquedos? Quantos poderes ridículos o Superman teve por que não havia mais o que escrever sobre ele? Quantos leitores se revoltaram com a catraca livre da morte tanto na Marvel quanto na DC? Quantas boas histórias foram ignoradas por decisões editoriais absurdas? Sabia que Ben 10 é a utilização da ideia de Disque H Para Herói, um dos muitos personagens negligenciados pela DC por ela manter em seu centro Superman, Batman e Mulher-Maravilha? Se a Marvel levasse a cronologia a sério, até o Homem-Aranha já seria um ancião, foi criado com mais ou menos 15 anos em 1962, sabia disso?

Astro City não tem histórias nem personagens redundantes, foram pouquíssimos produtos que eles licenciaram e licenciam e todos como fac-símiles, como se fossem oriundos daquela realidade para dar a experiência de imersão ao leitor.

Os nomes das ruas, praças, bairros, acidentes geográficos, edifícios, lugares em geral são os nomes de escritores, desenhistas e editores de quadrinhos, coisas que o leitor de verdade adora, pois reconhece o valor dos criativos, o leitor de verdade lê os créditos de cada história. Astro City deixa claro que quem faz as histórias são escritores, desenhistas e os raros editores criativos. Um personagem aclamado é só uma consequência. Vide o Monstro do Pântano, que só ganhou relevância depois de Alan Moore. Não há personagens menores, há criativos menores ou inapropriados. O nome do restaurante francês de Astro City é o mesmo do escritor que cocriou Asterix. Para você que sabe quem é Asterix, se isso não é um spoiler, vá ler Asterix. Personagens de quadrinhos são desenhos num papel, o que faz com que eles ganhem importância são essas pessoas de verdade que só os leitores de verdade valorizam.

É fã e quer service? Em Astro City, são os leitores de verdade que tem o privilégio de serem bem servidos.

13728489_1647661075519764_466061540_oPublicação no Brasil

Enquanto nos EUA, Astro City passou por três editoras e só teve suas eventuais interrupções motivadas pela vontade de seus criadores, aqui no Brasil, ela passou por mais que isso e os editores daqui nunca acertaram a mão com a série.

Mas vamos ao contexto: aqui, no Brasil, a Abril publicou Marvels. Com o sucesso de Marvels, muito mais pela arte de Alex Ross, Reino do Amanhã da DC foi publicado pela mesma editora antes de Astro City, que, como já vimos, originalmente saiu entre Marvels e O Reino do Amanhã.

O pouco sucesso de Astro City no Brasil se deveu ao nome de Alex Ross, mas em Astro City, ele só fez as capas e as concepções visuais. Assim, muitos leitores brasileiros se ressentiram ao não ver suas pinturas em aquarelas foto realistas no interior das revistas.

Nenhuma das editoras nacionais que trouxeram Astro City ao Brasil teve o cuidado de divulgar a proposta original da série, em que as ideias são predominantemente do escritor Kurt Busiek. A sensação de traição que o leitor brasileiro sentiu ao não ver a arte de Ross no interior das edições foi quase inevitável. Nos EUA, todos sabiam que Ross faria a concepção visual dos personagens e as capas, somente.

Mas vamos por partes.

A primeira editora brasileira a trazer esse material foi a Pandora Books de 2002 até 2005. A segunda foi a Devir em 2006, que publicou dois encadernados. A terceira foi a Pixel Media, de 2007 até 2009, republicando muita coisa em mais de um especial e terminando por colocar Astro City num mix mensal sob o título Fábulas, que só durou quatro edições. Depois disso ficou sem publicação no Brasil entre 2010 e 2014. A quarta e atual editora é a Panini, que assumiu a série em 2015 e ainda publica (2016). Além de já ter republicado quase todo o material anteriormente publicado pelas demais, já é a editora no Brasil que mais publicou Astro City até agora. Fonte: Guia dos Quadrinhos (http://www.guiadosquadrinhos.com).

Ou seja, quatro editoras brasileiras. Originalmente, Astro City teve 3 editoras. Primeiro a Image que se fragmentou, ficando com a WS. Esta foi comprada pela DC, mas manteve o selo. A compra da WS pela DC foi a verdadeira segunda troca de editora, pois, agora que os personagens de Jim Lee foram para o universo DC e o selo Ws acabou, Astro City foi transferida para o selo Vertigo, que pertence a DC. Lembrando que a DC/Vertigo não é proprietária nem de Astro City, nem de Vampiro Americano, nem de Y, o Último Homem, nem de Fábulas etc., a Vertigo, hoje, é o selo independente da DC, uma editora de verdade dentro dessa máquina de administração de marcas registradas que é a DC. E a Marvel também é só isso.

Voltando: a Pandora Books publicou a primeira série em formato de minissérie em três partes, com duas edições originais em cada edição nacional.

A Devir lançou os dois encadernados mais adultos da série até então: Inquisição e o Anjo Caído (republicados atualmente pela Panini com os títulos Confissão e o Anjo Maculado).

A Pixel fez edições especiais enfocando personagens e cenários antes de pôr a série num mix de Fábulas que só durou quatro edições e apresentou uma história do Caixa de Surpresas.

Esse foi o ponto louvável da Pixel: separar as edições por personagens; assim a história de Astra pôde ser contada sem a advertência “desaconselhável para menores de 18 anos” que acompanha os encadernados de colecionadores.

Acontece que Astro City têm personagens para todas as idades e gostos, mas na hora de encadernar, uma ou outra história mais pesada aumenta a classificação etária da edição inteira.

Entretanto a Pixel, do grupo Ediouro, resolveu não investir na série a longo prazo, abrindo mão de tudo o que era da DC que estava publicando até aquele momento. As revistas da editora traziam material dos selos Vertigo e Wild Storm, lembrando que, na época, Astro City era do selo Ws e Fábulas sempre foi, e é até hoje, do Vertigo.

A Panini, em sua série de encadernados, já republicou quase tudo o que as editoras anteriores publicaram, alternando as edições entre encadernados do material mais antigo e da atual fase nos EUA, mesmo do material antigo já publicado no Brasil. Hoje, estão nas gibiterias os volumes 1, 2, 3, 4, 5 e 9, isso mesmo. A proposta é intercalar o material posterior ao 9, mais atual, com o mais antigo.

Resta torcer para que as vendas sejam encorajadoras a ponto da editora atual pensar em encadernados específicos de cada personagem sem abandonar a série encadernada para colecionadores.

A Panini, mesmo não tendo republicado todo o material que saiu por aqui, já é a editora que mais publicou Astro City no Brasil. Do material lançado pela Pixel, faltam os guias turísticos de Astro City e algumas poucas aventuras do Samaritano. As edições com o Caixa de Surpresas que saíram na revista mensal Fábulas da Pixel estão no volume 3 da Panini.

Vejam bem, pessoal da Panini. Espero que vocês não abandonem o atual formato, mas que editem volumes enfocando personagens. A Astra é melhor formadora de público que o um certo vampiro.

Algumas edições da Pixel são memoráveis, mesmo não tendo publicado muito material, eles colocaram o guia de Astro City para apresentar uma gama maior de personagens, bem mais do que a Pandora e a Devir na época.

13730534_1647661108853094_1974312774_oVocê Está Deixando Astro City, Dirija Com Cuidado

Não vou concluir este texto listando os prêmios que Astro City ganhou ao longo dos anos nos EUA, todo mundo que faz parte do público tem o direito de discordar de críticos e de critérios de premiações. Entrar nessa ceara da autoridade constituída seria ser tão pedante quanto um professor de literatura de ensino médio, ou ao menos a grande maioria deles.

Vou deixar bem claro que: Astro City é uma série de super-heróis divertida, feita com minisséries e histórias fechadas; atualmente está saindo em encadernados pela Panini; as edições de editoras anteriores são fáceis de achar em cebos e gibiterias; e, principalmente, o leitor novo em super-heróis não precisa ter bagagem anterior nenhuma para ler as histórias.

Leitores veteranos irão se maravilhar com as referências, mas nenhuma referência é colocada de forma pedante a ponto de se converter em pré-requisito para a compreensão da história pelos leitores casuais ou novos.

Busiek não escreve por escrever, não tem obrigação de parir 4 revistas do Samaritano por mês. Ele só escreve uma história do (ou com o) Samaritano, ou de qualquer herói do universo de Astro City, quando têm boas ideias para escrever, isso faz toda a diferença. Todas as vezes que a publicação foi interrompida nos EUA foi pelo motivo certo, se ele não tinha uma boa história para escrever, ficava sem escrever.

O primor como a série é construída, sempre tendo o cuidado de fechar todas as histórias, ainda que em mais de uma edição, é um respeito que raros leitores de super-heróis sentem ao acompanhar mensais com eternos retcons, interligações e reboots que costumam estragar títulos que iam bem.

Há uma rotatividade de personagens em Astro City no tempo e no espaço. Um dia outro herói ocupará o lugar do Samaritano, não haverá reboot ou retcon ridículos, a inteligência do leitor não será violentada, e, se os heróis ainda voam é para encantar a imaginação, não para ofender a razão.

Quer heróis sombrios, eles tem representantes em Astro City; quer heróis ideais, eles também estão lá; quer rir dos super-heróis, os engraçados também dão as caras; heróis politizados e representantes de minorias, é só procurar.

Se você já gosta de super-heróis e quer novos, você achará. Se você nunca leu super-heróis na vida, experimente esses que você muito provavelmente amará! Amor verdadeiro e não paixão passageira.

Astro City forma público leitor novo ao mesmo tempo que renova o interesse do publico leitor antigo pelos super-heróis.

Em suma, ler Astro City é bom, acima de tudo, por ser prazeroso para todos.

Adendo:
Astro City #06 saiu pela Panini recentemente.
Alerta, por se tratar da maior história (série) de Astro City, a história A Era das Trevas NÃO se encerra NESTE encadernado, continuará no número 7!
E para os que acham que foi uma revolução a Mulher-Aranha grávida, olhem a barriga de Estelária e o ano de publicação original nos EUA.

Quer mais informações antes de ler? O site oficial da série é o Herocopia.com (http://www.herocopia.com), sim, ao entrar nesse site, em inglês, tenha cuidado com spoilers.

Boas leituras, espero que goste de minha indicação.

Bibliografia

Livros
BUSIEK, Kurt (texto)/ ROSS, Alex (arte).  Marvels.  São Paulo: Salvat, 2013.

            ROSS, Alex (história, artes de capas, concepção visual e direção de arte)/ KRUEGER, Jim (história e texto)/ PAUL, Carlos (arte)/ KLAUBA, Doug (arte)/ SADOWSKY, Stephen (arte).  Projeto Super Powers.  São Paulo: Devir, 2011.

   ROSS, Alex (arte)/ WAID, Mark (texto).  Reino do Amanhã: Edição Definitiva.  São Paulo: Panini, 2013.

Periódicos
            ANDERSON, Brent (arte)/ BUSIEK, Kurt (texto)/ ROSS, Alex (capas e concepção visual).  Astro City: Vida na Cidade Grande.  São Paulo: Panini, 2015.

            ANDERSON, Brent (arte)/ BUSIEK, Kurt (texto)/ ROSS, Alex (capas e concepção visual).  Astro City volume 2: Confissão.  São Paulo: Panini, 2015.

  ANDERSON, Brent (arte)/ BUSIEK, Kurt (texto)/ ROSS, Alex (capas e concepção visual).  Astro City volume 3.  São Paulo: Panini, 2015.

            ANDERSON, Brent (arte)/ BUSIEK, Kurt (texto)/ ROSS, Alex (capas e concepção visual).  Astro City volume 4.  São Paulo: Panini, 2015.

            ANDERSON, Brent (arte)/ BUSIEK, Kurt (texto)/ ROSS, Alex (capas e concepção visual).  Astro City volume 5.  São Paulo: Panini, 2016.

            ANDERSON, Brent (arte)/ BUSIEK, Kurt (texto)/ ROSS, Alex (capas e concepção visual).  Astro City volume 9.  São Paulo: Panini, 2015.

            GAIMAN, Neil.  Introdução In ANDERSON, Brent (arte)/ BUSIEK, Kurt (texto)/ ROSS, Alex (capas e concepção visual).  Astro City volume 2: Confissão.  São Paulo: Panini, 2015. p. 10 – 14.

Gibbons, Dave (arte)/ Moore, Alan (texto).  Watchmen: Nº 01 de 12.  São Paulo: Abril, 1999.

            Gibbons, Dave (arte)/ Moore, Alan (texto).  Watchmen: Nº 02 de 12.  São Paulo: Abril, 1999.

            Gibbons, Dave (arte)/ Moore, Alan (texto).  Watchmen: Nº 03 de 12.  São Paulo: Abril, 1999.

            Gibbons, Dave (arte)/ Moore, Alan (texto).  Watchmen: Nº 04 de 12.  São Paulo: Abril, 1999.

            Gibbons, Dave (arte)/ Moore, Alan (texto).  Watchmen: Nº 05 de 12.  São Paulo: Abril, 1999.

            Gibbons, Dave (arte)/ Moore, Alan (texto).  Watchmen: Nº 06 de 12.  São Paulo: Abril, 1999.

          Gibbons, Dave (arte)/ Moore, Alan (texto).  Watchmen: Nº 07 de 12.  São Paulo: Abril, 1999.

            Gibbons, Dave (arte)/ Moore, Alan (texto).  Watchmen: Nº 08 de 12.  São Paulo: Abril, 1999.

            Gibbons, Dave (arte)/ Moore, Alan (texto).  Watchmen: Nº 09 de 12.  São Paulo: Abril, 1999.

            Gibbons, Dave (arte)/ Moore, Alan (texto).  Watchmen: Nº 10 de 12.  São Paulo: Abril, 1999.

            Gibbons, Dave (arte)/ Moore, Alan (texto).  Watchmen: Nº 11 de 12.  São Paulo: Abril, 1999.

            Gibbons, Dave (arte)/ Moore, Alan (texto).  Watchmen: Nº 12 de 12.  São Paulo: Abril, 1999.

Sites
ArgCast!
            http://www.dinamo.art.br/podcast

            QuadrimCast
            http://www.quadrimcast.com.br

            Guia dos Quadrinhos
            http://www.guiadosquadrinhos.com

            Wikipedia
            https://www.wikipedia.org

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20 comentários em “[ENSAIO]Astro City: Uma Cidade Grande para Grandes Super-heróis

    Beatriz Andrade disse:
    7 de agosto de 2016 às 01:19

    Caramba, um post bem completo. Eu sou uma leitura bem compulsiva mas essa série não me chamou atenção, não é bem do tipo que eu procuro para ler mas se tivesse me despertado interesse, bem que eu leria.

    Curtido por 1 pessoa

      rodrigorosascampos respondido:
      7 de agosto de 2016 às 10:19

      Bom, primeiramente, obrigado por ler meu post. Se um dia, os super-heróis te interessarem, Astro City tem bons personagens livre de cargas cronológicas de mais de 70 anos e com histórias pensadas para serem fechadas. Beijos!

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    Llivros & Tal disse:
    7 de agosto de 2016 às 19:29

    Uau… minha nossa que texto incrível. Meus parabėns…
    Confesso para você que eu desconhecia totalmente das coisas que você explicou aqui, gosto bastante de heróis e seu texto foi de fato uma lição para mim.
    Obrigada.

    Beijão

    Curtido por 1 pessoa

      rodrigorosascampos respondido:
      8 de agosto de 2016 às 21:25

      De nada! Espero que experimente e goste de Astro, um lugar agradável e cheio de imaginação para todos os gostos.

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      rodrigorosascampos respondido:
      8 de agosto de 2016 às 21:35

      De nada. Querendo conhecer mais de heróis, recomendo o ArgCast, o Quadrim Cast, o Plano Infalível, o Universo HQ e seu podcast Confins do Universo. Beijão!

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    Bia Santana disse:
    7 de agosto de 2016 às 20:51

    De fato esse é um post bem completo para os fãs de quadrinhos e super-heróis, o que não é o meu caso. Na verdade eu curto super-heróis, suas séries e filmes, mas os quadrinhos em si eu nunca fui de ler. Único quadrinho que lia era a Turma da Mônica quando criança, e foi só.
    http://www.viciadosemleitura.blog.br

    Curtido por 1 pessoa

      rodrigorosascampos respondido:
      8 de agosto de 2016 às 21:29

      Bom, Astro é para você caso decida experimentar. Com relação a turma da Mônica, curto até hoje, embora prefira as outras turmas dentro da turma: Penadinho, Astronauta, Tina, os Sousa, Nico Deimos etc. Beijos!

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    Bruno Cardoso disse:
    8 de agosto de 2016 às 19:44

    Com essa nova onde de super heróis, é praticamente impossível ficar de fora disso tudo. Eu gostaria muito de ter tempo e dinheiro para conseguir ler (além dos meus livros) HQs. Meu irmão costuma ler bastante, mas emprestado dos amigos.

    Curtido por 1 pessoa

      rodrigorosascampos respondido:
      8 de agosto de 2016 às 21:22

      Dicas se for começar, procure encadernados e fuja das mensais. Dê uma chance as minhas dicas, personagens novos e desconhecidos dão histórias melhores, pois a liberdade para criação é muito maior. Se seguir o eixo das grandes, DC/Marvel, veja o Plano Infalível 3, Belle Felix dá ótimas dicas.

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    Larissa Aguiar disse:
    9 de agosto de 2016 às 13:42

    Nossa, que post sensacional, parabéns! Muito bem escrito e completíssimo, perfeito pra quem, como eu, adora super heróis mas não possui muito conhecimento sobre.
    Espero que haja mais posts assim, vou amar.
    Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

      rodrigorosascampos respondido:
      9 de agosto de 2016 às 14:43

      Obrigado, fico feliz que tenha gostado. Outros posts sobre o tema estão programados, aguarde.

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    Suzana Chaves Linhares disse:
    9 de agosto de 2016 às 18:42

    Olá! Parabéns pelo texto! Te confesso que não conhecia Astro City, conheço os mais comuns da Dc e da Marvel. Seu post foi interessante por contar toda a origem dessa HQ, a explicação está show. Em um momento que os HQ’s estão em alta, é muito legal ver textos falando das suas origens. Nunca vi nada parecido, parabéns novamente!

    Curtido por 1 pessoa

      rodrigorosascampos respondido:
      9 de agosto de 2016 às 19:15

      Obrigado, e falando em origens de HQs, recomendo o ArgCast, o Quadrim (site e podcast), o Plano Infalível e o Confins do Universo. Beijos e boas leituras!

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    Iris Pereira disse:
    10 de agosto de 2016 às 20:00

    Oi,
    Parabéns pelo post, ficou super completo!! Explicou mt bem o mundo do Astro City para uma pessoa como eu que não entende nadinha do universo de HQs!!
    Bjs!
    Fadas Literárias

    Curtido por 1 pessoa

      rodrigorosascampos respondido:
      10 de agosto de 2016 às 21:03

      Iris Pereira, obrigado por seu comentário. Como disse, se quiser experimentar super-heróis, algum encadernado ou edição de Astro foi feito(a) para você. É uma série que, verdadeiramente, abarca vários públicos. Beijos!

      Curtir

    Elen Moreira disse:
    11 de agosto de 2016 às 08:07

    Oiee,

    Eu gosto de histórias de super-heróis, mas só acompanho os filmes e desenhos. O seu post está bem completo, eu não leio quadrinhos, mas para quem gosta com certeza vai amar o post.
    Beijos

    Curtido por 1 pessoa

    rodrigorosascampos respondido:
    11 de agosto de 2016 às 22:03

    Obrigado, se um dia desejar ir além dos filmes, vá além do eixo Marvel e DC, passe por por Astro City também. Beijos!

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    Gaby Marques disse:
    11 de agosto de 2016 às 22:20

    Caramba, teu post ficou beem completo. Eu sou totalmente perdida nesse assunto de quadrinhos, mas fiquei com vontade de conferir Astro City, me pareceu muito interessante! Dica anotada.
    Beijos!

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    Leituras Compartilhadas disse:
    12 de agosto de 2016 às 00:07

    Adorei o post! Para mim, que sei tão pouco sobres quadrinhos, o seu texto é um achado. Eu até gosto de quadrinhos, mas como não tenho o hábito de ler seguidamente, acabo sabendo pouquíssimo sobre o assunto. Para mim a sua postagem foi muito esclarecedora. Acho que a série Astro City é perfeita para mim. 🙂

    Tatiana

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    Daya Maciel disse:
    12 de agosto de 2016 às 15:02

    Oi,
    Um post completo para os fãs e tenho certeza que eles amaram. Eu não sou fã, lia quadrinho da Turma da Mônica quando era pequena.
    Parabéns pelo post
    beijos

    Curtir

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